A estratégia é um aspecto essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional de quem planeja crescer na carreira. Da mesma forma, é um ponto importante para as empresas que querem se manter e ascender no mercado. Estamos falando da estratégia organizacional, que permite ao gestor, a partir da compreensão dos cenários interno e externo, identificar ameaças e oportunidades, bem como seus pontos fortes e fracos. 

A partir de seu delineamento, é possível tomar decisões mais certeiras, algo essencial em um cenário mercadológico cheio de desafios e marcado pela alta competitividade. Quer entender melhor a importância da estratégia organizacional e como criar e aplicar essa tática nas empresas? É só conferir este post para entender mais a fundo sobre o tema e sua relação com o conceito de modelo de negócio. Boa leitura!

O que é estratégia organizacional?

Para que qualquer negócio, independentemente do tamanho ou setor de atuação, tenha sucesso, é imprescindível que defina uma estratégia organizacional. Trata-se de uma espécie de guia, que vai orientar todos os passos da empresa, levando em consideração sua realidade interna, o mercado externo e aonde ela quer chegar.

Em resumo: é a maneira de conquistar bons resultados, superando a concorrência e driblando outras ameaças que possam surgir pelo caminho. Esse processo engloba o planejamento e a execução das ações a fim de que a empresa obtenha um crescimento sustentável. Para isso, todos os recursos disponíveis devem ser utilizados (humanos, financeiros, tecnológicos, entre outros) a fim de atingir os objetivos.

A estratégia precisa fazer parte da organização empresarial, pois por meio dela é possível estabelecer também um padrão de resposta frente aos desafios e riscos tão comuns no mundo empresarial. Para que uma estratégia seja realmente eficaz, é preciso ter alguns elementos, como:

  • objetivos detalhados;
  • iniciativa;
  • flexibilidade;
  • liderança;
  • foco;
  • segurança.

A segurança é um fator determinante, visto que o gestor deve se preocupar com cenários adversos, questionando como agir diante de determinadas situações para poder pensar nos modos de se preparar para mudanças, mesmo as desfavoráveis. Com isso, em vez de correr para apagar incêndios, ele pode agir para evitar que eles aconteçam.

Origem do conceito

Desde a pré-história o homem precisa se valer de estratégias para sobreviver. O termo tem origem na palavra grega strátegos, que designava a posição do general no comando do exército. Aliás, o conceito de estratégia vem justamente do ambiente militar, ou seja, são as ações que devem ser executadas para derrotar o inimigo.

Para isso, é preciso analisar os próprios recursos, pontos fortes e fracos, bem como a condição e os passos do adversário, pesquisando os riscos que o ambiente oferece. Não é raro escutarmos que as empresas enfrentam um cenário de guerra, em que há uma grande disputa por espaço com a concorrência. A partir dessa analogia, dá para entender a necessidade de as organizações adotarem algumas táticas para sair na frente.

Estratégia competitiva

Ao relacionar a origem bélica da palavra estratégia com o ambiente corporativo, estamos nos referindo a um plano que a empresa deve adotar para se manter sólida em meio à competição e não perder sua fatia de mercado.

De acordo com o professor da Harvard Business School, Michael Porter, trata-se de um conjunto de ações (defensivas e ofensivas) planejadas, objetivando que a empresa se adapte ao ambiente externo e alcance uma posição vantajosa. São 3 estratégias competitivas genéricas:

  • liderança geral de custo: baixa-se o custo de seu produto levando em conta as especificidades do setor. Para isso, será preciso aumentar sua eficiência produtiva, reduzir alguns custos e apostar em uma margem mínima de lucro. Também pode-se valer, por exemplo, de uma tecnologia exclusiva ou ter acesso preferencial à determinada matéria-prima;
  • diferenciação: diferentemente da primeira, essa tática não está preocupada com os custos, mas com uma ou mais características em seus produtos ou serviços que são valorizadas pelos clientes. Desse modo, trabalha-se para atender a essas necessidades, proporcionando mais visibilidade a seus itens ou investindo em melhores formas de distribuição;
  • foco: os esforços são direcionados para um nicho determinado a fim de atender com excelência uma pequena fatia de mercado, fortalecendo sua marca.

A estratégia competitiva pode ainda ser feita a partir de duas abordagens:

  • de fora para dentro: realizada a partir de um estudo do mercado, pesquisando o que é exigido para que a empresa se destaque, ou seja, quais adaptações são necessárias para obter a vantagem competitiva;
  • de dentro para fora: realizada a partir da análise dos recursos da própria organização, buscando internamente os pontos que a diferenciam da concorrência.

Não existe um tipo de estratégia competitiva que seja melhor que o outro. O posicionamento da empresa no mercado e a maneira como ela vai obter vantagem frente à concorrência determinará qual é a mais adequada para a situação. Além disso, também é possível mesclar essas duas abordagens.

Como definir os objetivos organizacionais?

A estratégia organizacional deve ser definida para que a empresa atinja seus objetivos. Então, o primeiro passo para planejar e executar qualquer tipo de ação é a definição dos objetivos organizacionais. Mas como fazer isso?

Esse é um assunto que traz muitas dúvidas aos gestores, já que muitos pensam nesse ponto de forma vaga, como “atender com excelência os clientes”, que seria mais uma missão do negócio, mas não algo concreto, em que estejam definidas as etapas, prazos e recursos para sua realização. Nesse caso, temos um problema, pois mesmo que as estratégias estejam bem-definidas, a organização não chega a nenhum lugar.

Dessa forma, o objetivo é, na verdade, definir onde a empresa quer estar nos próximos anos para que, a partir disso, seja possível estipular as metas (e as respectivas estratégias) que permitam sua conquista. Nesse contexto, é fundamental que ela tenha as seguintes características:

  • ser realista: de nada adianta definir um objetivo que não possa ser cumprido ou que destoe dos princípios da organização, pois a ideia nunca sairá do papel;
  • ser mensurável: é necessário que as metas possam ser medidas e monitoradas para saber se as práticas adotadas estão dando os resultados esperados ou se é necessário fazer adequações para corrigi-las;
  • ter um prazo definido: é fundamental determinar um prazo e que ele seja razoável para que seja possível atingir o que foi proposto;
  • gerar motivação: é preciso propor algo que seja desafiante para a empresa a fim de que os colaboradores se engajem em sua realização e trabalhem em sintonia para alcançar os melhores resultados.

Para defini-los, esqueça as opiniões ou desejos de diretores e/ou administradores: é essencial que se faça um estudo detalhado do mercado e da situação atual da empresa para que, com base em análises e números, seja possível pontuar planos coerentes. O objetivo organizacional pode ser, por exemplo, tornar-se líder de mercado em seu segmento em cinco anos. Para alcançar isso, é necessário elencar as metas e estratégias para sua conquista, como:

  • desenvolver um novo produto ou serviço;
  • investir em ações de marketing;
  • investir em conhecimento, com a capacitação e atualização dos colaboradores;
  • melhorar a presença on-line, trabalhando com estratégias de marketing digital;
  • utilizar matérias-primas de melhor qualidade;
  • fazer parcerias com outras empresas de setores complementares;
  • abrir filiais em novos estados e conquistar mais consumidores;
  • contratar novos talentos;
  • buscar meios de aumentar a produtividade das equipes;
  • modificar os processos internos;
  • adquirir uma empresa concorrente.

Ter clareza em relação aos objetivos é fundamental para que todas as ações tomadas caminhem na mesma direção, o que dá unidade à empresa e proporciona melhora no desempenho.

Quais são as principais estratégias organizacionais?

O gestor pode adotar diferentes estratégias organizacionais de acordo com a situação da empresa e com as metas que pretende alcançar. Uma empresa recém-criada vai seguir diretrizes diferentes de um negócio já consolidado no mercado, por isso a abordagem a ser seguida depende do momento e das características de cada organização. Quer saber quais são as principais estratégias que podem guiar o caminho do empreendimento? Confira a seguir.

Estratégia de crescimento

É quando, apesar dos pontos fracos do negócio, o ambiente externo se mostra favorável, oferecendo oportunidades de crescimento. É o momento ideal para:

  • lançar novos produtos ou serviços;
  • investir na inovação;
  • aumentar a produção;
  • abrir novos pontos de venda;
  • fazer novas contratações;
  • internacionalizar o negócio, expandindo suas operações para outros países;
  • fazer planos visando à expansão da empresa;
  • integrar-se a outras empresas;
  • explorar novos mercados.

Estratégia de manutenção

Apesar das ameaças identificadas no ambiente externo, a organização sabe que tem pontos fortes devido a seu tempo de experiência e que consegue manter o posicionamento no mercado alcançado até então. Nessa abordagem, o gestor pode adotar a estratégia de nicho, concentrando os esforços para dominar o segmento do mercado em que já atua, preservando sua vantagem competitiva.

Para isso, a empresa pode se dedicar a um único produto ou serviço, por exemplo, sem desviar o foco para outra atividade. Se o produto X é líder de vendas, a atenção vai se voltar para manter sua produção e evitar problemas de abastecimento. Não é o momento, por exemplo, de fazer testes com o produto Y para descobrir qual será seu desempenho de vendas.

Estratégia de desenvolvimento

Deve ser utilizada para aproveitar as oportunidades e corrigir os pontos fortes do negócio, o que vai propiciar:

  • explorar novos mercados;
  • desenvolver novos produtos e serviços;
  • associar-se a outras empresas.

Estratégia de sobrevivência

Adotada por empresas que enfrentam um cenário desfavorável, como aquelas que apresentam resultados abaixo do esperado. Para que possam se manter no mercado, é necessário parar os investimentos, rever os processos e reduzir os custos. Dessa maneira, o gestor pode:

  • fechar unidades;
  • reduzir a produção;
  • diminuir as equipes;
  • renegociar valores de matérias-primas.

Qual é a importância delas para as empresas?

Apostar na gestão estratégica é uma maneira de buscar formas inteligentes de ter sucesso com a realização de uma análise crítica do mercado. Sendo assim, ela deve ser aplicada em todos os setores da empresa de forma a descobrir o que precisa ser corrigido, mantido ou aperfeiçoado a fim de melhorar os resultados.

Dessa maneira, planejar, executar e avaliar continuamente as ações a partir da estratégia organizacional permite ao gestor ter uma visão sistêmica do negócio e também do cenário externo. Ou seja, é possível se adaptar às mudanças de mercado e buscar meios de enfrentar a concorrência.

Hoje em dia, a estratégia organizacional ganha ainda mais importância devido à globalização, à alta competitividade e às incertezas do mundo corporativo, as quais exigem decisões rápidas e flexibilidade para atender às tendências e às necessidades de consumidores, que estão cada vez mais informados e exigentes.

O mercado pede inovação

É necessário se planejar ainda para inovar, investindo na qualificação das equipes e adotando a cultura do intraempreendedorismo para que os colaboradores usem a criatividade e sugiram ideias e soluções para a organização. Incentivar esse tipo de iniciativa vai alavancar a carreira do profissional na própria empresa e também gerar uma vantagem competitiva.

Como criar uma estratégia organizacional?

Diante de tantas vantagens de adotar a estratégia organizacional, vem a pergunta: como criar essa ferramenta? O processo de elaboração deve ser organizado de acordo com as respostas das seguintes respostas:

  • qual a situação atual da empresa?
  • Onde queremos chegar?
  • Como chegaremos lá?

Feito isso, é chegada a hora de seguir alguns passos para criar sua estratégia organizacional. Acompanhe abaixo.

Diagnóstico

Antes de definir qualquer plano, é preciso entender o motivo pelo qual a empresa precisa criar essa estratégia. O gestor deve identificar quais são os desafios que ela enfrenta e quais resultados pretende alcançar daqui um ou três anos, por exemplo.

Análise SWOT

O método SWOT é empregado no planejamento estratégico das empresas. A partir dele, é possível visualizar com clareza o cenário interno e externo, o que torna mais fácil pensar os caminhos que a organização deve tomar. A palavra SWOT é um acrônimo das palavras seguintes em inglês:

  • strengths — forças;
  • weaknesses — fraquezas;
  • opportunities — oportunidades;
  • threats — ameaças.

No Brasil, o método também é chamado de FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). O objetivo é fazer um cruzamento entre as oportunidades e as ameaças do cenário externo — as quais não são controláveis, como a alta do dólar ou mudanças climáticas que afetam a produção — e os pontos fortes e fracos do negócio.

No entanto, é preciso entender que, apesar de as oportunidades possibilitarem a ascensão de uma empresa, com certeza elas também vão aparecer para os concorrentes. Por isso, a estratégia organizacional adotada na hora certa, a partir dessa análise, permite aproveitar uma situação favorável e ganhar mercado. Caso outra organização chegue antes, essa mesma oportunidade pode se tornar, em muitos casos, uma ameaça.

Uma oportunidade pode ser a utilização do mercado on-line para se aproximar dos consumidores, por exemplo, o que melhora a visibilidade do negócio. Trata-se de um nicho que pode ser explorado por diferentes setores — inclusive por empresas de pequeno porte —, possibilitando atender clientes de diversas regiões sem precisar de uma estrutura física em outras cidades.

Já, quando se trata das forças e fraquezas, é diferente, visto que elas são controláveis, permitindo que a empresa faça mudanças para reverter uma realidade desfavorável. Um defeito apresentado em um produto pode ser corrigido para que a imagem da organização não fique comprometida. Por outro lado, ter a qualidade de um serviço reconhecida pelos consumidores, por exemplo, é um ponto que exige uma estratégia para mantê-lo ou reforçá-lo.

Por meio da análise SWOT, o gestor tem uma visão ampla sobre a realidade do negócio, tanto de fora para dentro como de dentro para fora, permitindo pensar em táticas eficazes para o crescimento.

Pesquisa do perfil dos consumidores

A empresa deve entender o perfil de seus clientes e qual valor eles buscam em seus produtos e serviços, o quanto estão dispostos a pagar e também como a concorrência se posiciona frente a esse público. Com essas informações, pode-se trabalhar para superar as expectativas dessas pessoas.

Definição de metas

Para que as estratégias sejam executadas, é necessário definir as metas de curto, médio e de longo prazo, bem como os recursos financeiros, humanos e tecnológicos que estarão envolvidos em cada etapa. No entanto, é importante ter uma certa flexibilidade nesse momento, pois imprevistos podem acontecer e exigir mudanças naquilo que foi planejado.

Ao formular as metas, os gestores precisam envolver os colaboradores de modo a engajá-los nesse trabalho. Para isso, é fundamental melhorar as formas de comunicação com a equipe. Recompensar os esforços também é válido para que todos se empenhem na busca de um mesmo objetivo.

Execução do plano de ação

Agora é o momento de transformar a estratégia em execução. Porém, isso costuma gerar algumas dúvidas. Entre elas, a maneira mais adequada de colocar em prática o plano de ação. Uma dica é utilizar a ferramenta 5W2H. Veja como funciona na sequência.

5W

  • What – O que fazer?
  • Why – Por que fazer?
  • Where – Onde fazer?
  • When – Quando fazer?
  • Who – Quem vai fazer?

2H

  • How – Como fazer?
  • How much – Quanto custa fazer?

Quando o gestor resolve essas 7 questões, ficam mais nítidas as formas de executar cada ação. É importante ressaltar que, nessa etapa, é preciso ter organização: podem ser necessárias várias mudanças na empresa, mas o gestor deve saber como priorizar as mais urgentes e delegar as tarefas para descentralizar as ações e obter resultados mais rápidos.

Por exemplo, pode ser preciso redefinir um produto ou serviço, o que costuma exigir, primeiramente, ter profissionais qualificados, fazer um estudo dos hábitos dos consumidores ou ainda um investimento em uma tecnologia específica.

Monitoramento dos resultados

De nada adianta executar as ações com base no que foi traçado e não acompanhar a implementação. Por isso, deve-se avaliar se o que foi proposto está, de fato, evoluindo como o esperado e proporcionando bons resultados. Em caso negativo, o gestor precisa rever as etapas anteriores, aplicar alguns ajustes e, se preciso, formular novas estratégias.

Apesar do dinamismo do mercado, um ponto fundamental é entender que os resultados não vão surgir de uma hora para outra. Dependendo das etapas a serem cumpridas e dos obstáculos que surgirem no caminho, pode levar tempo para que a empresa consiga colher frutos de suas ações. 

Qual a relação entre modelo de negócio e estratégia organizacional?

Muitas pessoas consideram os termos modelo de negócio e estratégia organizacional como sinônimos, mas, apesar de os dois objetivarem a geração de lucro, não são a mesma coisa. Ao delinear sua estratégia, a empresa está direcionando seus recursos para ganhar destaque no mercado, ou seja, para ter uma vantagem competitiva.

É nesse momento que o gestor deve definir o plano de negócio, estabelecendo formas de atender à necessidade dos clientes e entregar valor para eles. Assim, para ter um modelo eficaz, estratégias organizacionais bem-definidas são imprescindíveis. 

Adequação do modelo de negócio à estratégia organizacional

O modelo de negócio se refere à forma como a empresa vai atender à demanda e aos anseios de seus clientes, trabalhando com produtos ou serviços de qualidade e de maneira competitiva.

É necessário, portanto, que ele esteja adequado às estratégias traçadas, passando por adaptações para superar a concorrência e os desafios impostos pelo mercado. Se a estratégia for, por exemplo, investir em inovação, é imperativo que a organização revise seu modelo de negócio e modifique as formas de entregar valor a seu público.

Desse modo, é importante que os dois conceitos caminhem em sintonia e passem por alterações sempre que necessário. O negócio não pode correr o risco de perder uma oportunidade só por apresentar um modelo engessado, não é mesmo? O que queremos dizer é que as empresas que buscam crescer devem ser flexíveis e estarem dispostas a se adaptar.

Formular a estratégia organizacional com consistência é um fator decisivo para ascensão das empresas em um mercado cada vez mais competitivo. É, portanto, a maneira de contar com um guia para nortear os rumos do negócio, apontando o que deve ser feito para entregar um produto ou serviço com mais valor aos clientes. Com isso, é possível melhorar o posicionamento frente à concorrência.

O que achou de nosso post? Conseguimos explicar a importância da estratégia organizacional para o sucesso de qualquer empreendimento? Então, sugerimos também a leitura do nosso e-book sobre como se tornar um líder de equipes.

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