Tem gostado das aulas de Química no colégio ou no cursinho? Está considerando se aprofundar nessa matéria na sequência dos seus estudos e fazer disso a sua profissão, mas não sabe diferenciar Química de Engenharia Química?

Se, de uma maneira geral, você tem curiosidade a respeito desse tema, então sugerimos acompanhar o post de hoje. Reunimos, aqui, uma série de informações que certamente serão úteis não só para você saber mais a respeito de como funciona a atividade do engenheiro químico, como também para que tenha como embasar sua escolha.

Vale lembrar que o primeiro passo para a escolha da profissão sempre é a identificação com o assunto central dela, ou seja, se você gosta de Química, já tem boas chances de ser um grande profissional de destaque na área.

Sem mais conversa, confira o conteúdo que preparamos para você a seguir!

O que faz o engenheiro químico?

Antes de se aprofundar no tema, conhecendo questões fundamentais em relação à profissão, é importante que você saiba para que ela serve, qual é a ideia por trás de sua criação e o que um engenheiro químico pode desempenhar no seu dia a dia.

O engenheiro químico aplica conhecimentos adquiridos no estudo de Química e de Engenharia para criar soluções voltadas à produção ou ao uso de substâncias químicas. É o profissional que constrói um elo entre a ciência e a manufatura.

Você verá ao longo do texto que muito da atuação do profissional está associada à realidade das indústrias, embora não seja necessariamente a sua única opção de trabalho. Isso porque estamos falando do profissional responsável pelo desenvolvimento em escala industrial, algo que não diz respeito apenas a produtos, mas também a processos que levam à criação deles.

Cabe ao engenheiro químico lidar com a formulação e a solução de problemas associados à indústria química, bem como trabalhar na operação e manutenção de sistemas.

O surgimento da profissão está associado às limitações que o profissional de Química apresenta na lógica industrial. Como, na maioria das vezes, o seu trabalho não se aplica em grande escala, se faz necessária uma atuação um pouco mais específica em função dessa demanda, sendo a Engenharia a formação mais adequada para os interesses das organizações.

Pense nas ações de um profissional de Química, tendo que medir e criar soluções em laboratórios e trabalhando com quantidade reduzida de material. Agora multiplique isso por toneladas diárias, em um processo contínuo.

É mais ou menos essa a lógica que justifica o curso de Engenharia Química: ele cria profissionais capacitados para estudar a dimensão de equipamentos, questões como a transferência de calor e de massa, entre outros aspectos que são fundamentais para o setor industrial.

Na prática, um engenheiro químico atua dentro das indústrias, adotando os principais procedimentos que um químico usa no seu dia a dia, mas com a significativa diferença de fazer isso em grande escala.

Afinal, qual é a diferença entre Química e Engenharia Química?

Basicamente, o engenheiro químico é o profissional da Química preparado para lidar com o trabalho em indústrias. Mas vamos mais a fundo: para diferenciar as duas profissões, é preciso primeiro analisar as formações do profissional de cada área. Você pode conhecer detalhadamente as características de cada curso conferindo as diretrizes acadêmicas do Ministério da Educação.

No caso do curso de Engenharia Química, não existe uma diretriz curricular oficial específica. Cursos de Engenharia, em geral, precisam abordar determinados assuntos independentemente da modalidade, tais assuntos correspondem a 30% da carga horária e dizem respeito ao chamado núcleo de conteúdos básicos. São assuntos como Metodologia Científica e Tecnologia, Matemática, Física, Mecânica dos Sólidos, Economia, entre outros.

Todo aluno de Engenharia, qualquer que seja, precisa estudar esses assuntos, o que faz de sua formação multidisciplinar e generalista.

Vamos então analisar do que tratam as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Química: de acordo com o Parecer nº 1.303/2001, que diz a respeito do bacharelado e da licenciatura em Química, respectivamente, o bacharel em Química também precisa ter formação generalista, para que tenha domínio das técnicas básicas de utilização de laboratórios e equipamentos, além de desenvolver condições para atuar nos campos de atividades socioeconômicas que dizem respeito às transformações da matéria.

É ele quem terá como direcionar essas transformações, controlar os produtos, interpretar criticamente as etapas, efeitos e resultados, aplicar abordagens criativas à solução dos problemas e desenvolver novas aplicações e tecnologias.

Já o profissional licenciado em Química precisa ter formação generalista, mas também sólida e abrangente nos mais diversos conteúdos dos diferentes campos da Química, pois poderá atuar na preparação adequada à aplicação pedagógica do conhecimento e experiências de Química e de áreas afins na atuação profissional, como educador na educação fundamental e média.

Na prática, a grande diferença entre Química e Engenharia Química tem a ver com as novas tecnologias. A formação do engenheiro químico acaba sendo mais aprofundada no que diz respeito à criação e à melhoria de produtos e processos produtivos. Já o químico, por outro lado, acaba direcionando sua atuação para processos que envolvem análise, pesquisa e estudo de composições e reações envolvidas na síntese de materiais e substâncias.

Por consequência, a Engenharia Química acaba oferecendo uma quantidade maior de oportunidades do que a Química, pois abre espaço para opções que não estão diretamente ligadas à Química. O químico formado tem um foco mais voltado para o ensino e o desenvolvimento da Química como matéria, já o engenheiro químico tem como prioridade a aplicação dos conhecimentos que dizem respeito à matéria na sociedade, desenvolvendo tecnologias, processos e produtos empresariais e industriais.

Para fazer a sua melhor escolha, pense da seguinte forma: quer dar aulas? Um bom caminho é optar pela licenciatura em Química. Se o seu foco for a atividade em laboratórios, fazendo pesquisas, o ideal é o bacharelado em Química, agora se a ideia for atuar em indústrias, aumentando sua quantidade de opções (o engenheiro químico também pode trabalhar em laboratórios e dar determinadas aulas), a alternativa mais indicada é a Engenharia Química.

Como é a grade curricular da Engenharia Química?

“E quanto às matérias? Cursando Engenharia Química eu terei que estudar somente exatas? Como funciona a organização das disciplinas ao longo do curso?”.

Não pense que estudando Engenharia Química você não se aprofundará na área em questão. Pelo contrário, mesmo conciliando a matéria com temas da Engenharia, o curso de Engenharia Química exige bastante em relação à Química, embora o foco do curso seja mais voltado à aplicação. Matérias como Química Geral e Inorgânica, farão parte da sua rotina de estudos.

Além disso, como visto, ao estudar Engenharia Química, você se deparará com matérias que não dizem respeito somente à Química. Conteúdos de Física e Matemática, por exemplo, serão estudados ao longo da graduação. Da mesma forma, com o avanço da biotecnologia, é comum ver a incorporação de conteúdos de Ciências Biológicas nos cursos de Engenharia Química.

Algumas temas que você verá ao longo do curso, além do estudo de Química:

  • Metodologia da Pesquisa Científica;

  • Português Instrumental;

  • Introdução à Programação;

  • Desenho Técnico;

  • Matemática;

  • Física;

  • Fenômenos de Transporte;

  • Comportamento dos Materiais;

  • Engenharia Econômica e Finanças;

  • Gestão Ambiental e Tratamento de Efluentes.

É preciso pontuar que um curso de Engenharia definitivamente é um curso de exatas, o que significa que, logo no ciclo básico do curso, você terá aulas como as de Cálculo e Matemática Aplicada, por exemplo. Matérias de Física também são exigidas, por exemplo, Termodinâmica.

Portanto, se você tem dificuldades com cálculos e raciocínio lógico, é hora de trabalhar mais em desenvolver essas habilidades, pois elas serão necessárias futuramente.

Ao chegar ao terceiro ano do curso, geralmente, o aluno usa os conhecimentos adquiridos para aplicá-los em processos físico-químicos, identificando reações, analisando e purificando compostos, além de projetar equipamentos visando transformações na indústria química.

Durante boa parte do tempo, você trabalhará em laboratórios, aprendendo na prática a lidar com os processos que serão necessários para a sua profissão. Assim, a parte prática passa a ter grande importância na formação, da mesma forma como as aulas teóricas.

É bom lembrar também que as faculdades exigem estágio, além do trabalho de conclusão de curso (TCC) para conceder o diploma reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

Quais são as áreas de atuação do profissional?

Você pode estar se perguntando: “E o trabalho? Em que locais o profissional formado pode desempenhar suas atividades? O espaço de atuação desse tipo de engenheiro é restrito à indústria?”.

Vale lembrar que o engenheiro químico tem papel importante em relação a uma série de situações que fazem parte da rotina da população. Entre elas, podemos citar alimentação, energia e até remédios. É esse profissional que atua na fabricação de produtos imprescindíveis para a sociedade moderna.

Outras áreas de atuação do engenheiro químico também muito valorizadas são a indústria de fertilizantes, de cosméticos, entre outras.

Outra opção, além da atuação no ramo técnico, é a gestão administrativa, que oferece oportunidades interessantes como a vaga de gerente de produção industrial.

Você pode direcionar a sua carreira também para a gestão de projetos, uma vez que terá uma noção básica de administração de empresas ao longo de sua formação.

Em resumo, podemos simplificar o espaço do engenheiro químico no mercado de trabalho da seguinte forma:

  • na indústria, ocupando cargos técnicos em segmentos que precisam de especialistas para lidar com produtos, fórmulas e reações. As principais opções são as indústrias alimentícia, cosmética, de medicamentos e petroquímica;

  • na gestão, uma vez que a formação do engenheiro contempla conhecimentos que vão além das especificidades da Química, o que pode dar a ele acesso a cargos de liderança;

  • na pesquisa, trabalhando em laboratórios privados ou de instituições públicas. Profissionais assim têm uma rotina que envolve a realização de experimentos, a produção de artigos científicos e a participação em congressos;

  • na educação, com oportunidades em cursinhos, projetos sociais e, caso você invista em uma pós-graduação, até em cursos de ensino superior.

De uma maneira geral, podemos dizer que se trata de uma carreira que apresenta boas possibilidades para o profissional. É válido lembrar também que, mesmo que a indústria seja o ambiente consagrado do engenheiro químico, não é necessariamente dentro dela que ele precisa construir a sua trajetória profissional.

Como está o mercado atualmente?

Vamos à parte que talvez seja a que mais preocupa o estudante: o mercado de trabalho. Ainda que a escolha da profissão dependa da aptidão em relação ao que ela envolve, deixar a questão financeira de lado pode ser um problema no futuro, então trataremos dela também.

É natural que, em função da sua formação ampla, o engenheiro de qualquer área tenha condições para se colocar no mercado de Engenharia com até mais facilidade do que outros profissionais. Natural também é que o estudante interessado em estudar Engenharia Química se preocupe em saber quais são as possibilidades específicas da sua área.

Nesse caso, é preciso ressaltar a sua importância no setor industrial, no qual o engenheiro químico é um dos profissionais mais requisitados do mercado.

Aqui, vale a pena abrir parênteses para avaliar a importância da indústria na economia nacional. Quando a produção está em alta e os resultados são positivos, os impactos são visíveis no PIB brasileiro, o que justifica uma preocupação constante em relação ao desenvolvimento do setor.

No momento, ainda que a indústria não apresente bons números para o país, boas oportunidades se apresentam nos ramos de alimentos, combustíveis, cosméticos, remédios, polímeros e tintas.

Destaque também para o fato de o Brasil ser líder mundial na produção de etanol, o que valoriza ainda mais o trabalho na indústria sucroalcooleira no país. Além disso, com o tradicional alto consumo de veículos, o setor automobilístico demanda serviços especializados de indústrias que trabalham com tintas e espumas.

Quanto ao salário do engenheiro químico, ele pode ultrapassar os R$ 20 mil mensais, na situação extrema de o profissional chegar ao cargo de diretor industrial. Outros cargos como de chefe de controle de qualidade e coordenação de projetos de sistemas podem remunerar entre R$ 7 mil e R$ 10 mil.

Segundo a Lei 4.950-A, de 1966, responsável pela regulamentação da remuneração de profissionais com diplomas em Engenharia, Química, entre outros, a tabela salarial desse profissional está vinculada ao salário mínimo vigente e à sua jornada diária, independentemente do seu local de atuação, da seguinte forma:

  • jornada de 6 horas: 6 salários mínimos;

  • jornada de 7 horas: 7,25 salários mínimos;

  • jornada de 8 horas: 8,5 salários mínimos.

Como visto, o mercado para o engenheiro químico costuma ser bom em virtude de sua importância em diferentes processos, ainda que os resultados do setor industrial estejam abaixo do ideal.

Como é o dia a dia do engenheiro químico?

A rotina do profissional também precisa ter impacto na escolha da profissão. Muitas vezes, mesmo gostando do que faz, a pessoa pode não se identificar com o dia a dia de trabalho, o que faz com que esse aspecto também deva ser considerado.

Entretanto, isso certamente dependerá da área em que o profissional trabalha. A rotina do engenheiro químico que atua no desenvolvimento costuma ser bastante intensa (o clichê do cientista maluco, de jaleco, fazendo experiências, geralmente é uma representação desse profissional). Isso porque ele lida com transformações físico-químicas e precisa fazer testes e analisar seus resultados pensando no próximo experimento.

Já a área de projetos tende a ser escolhida por profissionais que estudam modelos já existentes na fábrica, formas de se usar melhor os espaços disponíveis e tudo o mais que envolver os projetos da indústria, seja ela de alimentos, de cosméticos, petroquímica, entre outras.

Atuando nos processos industriais, o profissional terá a responsabilidade de verificar minuciosamente as diferentes etapas que fazem parte da produção fabril, considerando desde a matéria-prima até a distribuição do produto final no mercado consumidor. Sua missão é usar suas habilidades e competências a serviço da organização, fazendo com que a fabricação ganhe em agilidade e eficiência e com que a empresa tenha melhores resultados.

Atuando no meio ambiente, o engenheiro químico tem foco na compreensão dos impactos ambientais causados pela ação de um agente externo. Cabe a ele definir normas e padrões, visando amenizar esses impactos para a empresa para a qual trabalha.

É em função dessa variedade de possibilidades que o engenheiro químico precisa estar qualificado, seja para elaborar projetos, seja para fazer a transformação físico-química, entre outras ações. Tal qualificação dependerá de seu esforço ao longo da graduação, mas também, fundamentalmente, da qualidade do ensino recebido pela faculdade que frequentar, que precisa ser apta para contemplar todas as demandas de um profissional da área.

O que se espera de um engenheiro químico?

“O que o mercado quer? Quais são as demandas tanto do setor industrial quanto dos demais em relação a quem vem das faculdades com o diploma nas mãos? O que diferencia um bom engenheiro químico, apto a ocupar os cargos mais altos de profissionais comuns?”. Procuramos tirar essas dúvidas na sequência.

O básico é ter condições de lidar com ciências exatas. Isso não significa que você tenha a obrigação de atuar como uma calculadora humana, mas sim que, para ser um profissional qualificado, precisará reunir características como a capacidade analítica e raciocínio lógico para lidar com as tarefas do dia a dia do engenheiro químico.

Isso pode ser conquistado com a devida dedicação aos estudos de matérias de ciências exatas como Química, Matemática e Física.

Além disso, é preciso que o profissional seja capaz de inovar, sendo essa uma característica importante e que costuma diferenciar nomes no mercado. O engenheiro químico que consegue enxergar oportunidades, também é capaz de apresentar novas soluções para o mercado e, a depender da sua área de atuação, otimizar os processos da empresa.

Um ponto a ser destacado: o engenheiro químico precisa estar atento não somente à busca por soluções dos problemas que aparecem, mas também à identificação de problemas quando suas consequências ainda não causaram danos tão significativos.

Nesse sentido, habilidades naturais como liderança e capacidade para trabalhar em grupo também são muito valorizadas. O profissional, dotado dessas capacidades, seja de maneira inata, seja pela via do treinamento, costuma ter maior facilidade para se estabelecer tanto em indústrias quanto em laboratórios.

Em resumo, o que o mercado quer de um engenheiro químico é mais do que a capacidade para realizar cálculos, valorizando também sua criatividade e relacionamento interpessoal. Reunindo essas características, existem boas chances de você crescer na profissão.

A escolha da profissão sempre é uma tarefa difícil. Optar por um caminho e deixar todos os outros para trás exige certo grau de maturidade para um público que, na maioria das vezes, ainda é muito jovem. É por isso que a boa informação é importante. Com ela, você encontra elementos para basear sua escolha em critérios, e uma boa escolha será fundamental para o futuro.

Por fim, vale lembrar que, se você se interessa por Química como matéria, uma dica é ir em busca de informações a respeito das carreiras que envolvem a área com profissionais que já atuam nela. Isso geralmente ajuda a tirar dúvidas.

No caso da Engenharia Química, é possível acessar sites de grandes indústrias para ver como é realizado o trabalho pelos profissionais e até encontrar meios para agendar visitas. Companhias estatais costumam abrir esse espaço para grupos de estudantes, sendo assim, procure a direção da sua escola para saber se é possível criar esse tipo de contato.

Faculdades também podem facilitar esse encontro. Esteja sempre de olho nos eventos, principalmente aqueles voltados para trazer a comunidade para o espaço acadêmico e seu universo.

Converse com seus professores. Certamente eles terão como falar mais sobre o dia a dia de sua atividade e até indicar profissionais que atuam na Engenharia Química para mostrar como funcionam suas atividades no dia a dia.

Lembre-se de que ver como as tarefas funcionam na prática é muito diferente de ter conhecimentos apenas teóricos sobre elas.

De uma maneira geral, Química é a matéria ideal para quem se interessa pela experiência e transformação. Se esse for o seu caso, então tem tudo para ser bem-sucedido. Agora é hora de procurar as instituições que têm mais a oferecer.

Gostou das dicas? Agora é só fazer sua escolha e estudar para ser aprovado. Para ajudá-lo nessa caminhada, confira nosso guia e saiba como passar no vestibular estudando sozinho!

 

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