O momento de entrar na faculdade é um dos mais importantes na vida de qualquer pessoa e, claro, é marcado por muitas escolhas. Não se trata apenas de escolher qual curso você vai fazer, ou onde, mas também qual será a modalidade. E se você acha que existem apenas duas alternativas — presencial ou a distância —, aqui está uma informação importante: não é bem assim! Você também deve considerar a opção pelo ensino híbrido, que tem suas próprias características e vantagens.

Infelizmente, essa modalidade não é tão divulgada e, por isso, nem todos os jovens sabem que ela existe. Por isso, criamos esse miniguia da educação híbrida. Aqui, você vai encontrar todas as informações essenciais para decidir se vale a pena fazer um curso nesses moldes. E aí, vamos ao que interessa?

O que é o ensino híbrido?

O ensino híbrido é uma mistura entre as modalidades presencial e EAD (ensino a distância). Ele reúne o que cada uma delas traz de melhor, para pessoas que não podem fazer 100% do curso presencialmente, mas que também não querem perder totalmente essa experiência.

O ensino híbrido também costuma ser chamado de semipresencial. Esse nome faz sentido, pois, em muitos casos, a maior parte do curso continua sendo presencial.

Apenas cerca de 20% da carga horária corresponde às atividades que são desenvolvidas a distância. E, para garantir o melhor aproveitamento, as atividades que são realizadas fora da sala de aula são justamente aquelas em que o aluno não será prejudicado por estar longe do professor e dos colegas.

É importante destacar que a noção de “graduação a distância” evoluiu muito ao longo do tempo. Antes, eram cursos por carta ou transmitidos com gravações em vídeo nos polos presenciais. Agora, é sinônimo de curso online de graduação, porque as atividades a distância são desenvolvidas por meio da internet.

Com isso, a troca de informações é instantânea. Você pode conseguir uma resposta para uma dúvida ou ver o resultado de um quiz, em poucos segundos. Além disso, considerando que os jovens estão tão integrados com a tecnologia, o uso desses recursos é intuitivo e não exige esforço.

Como a modalidade funciona?

Explicar como funciona a modalidade de ensino híbrido não é muito fácil, e o motivo é que existe bastante variação no modo como ela é aplicada. Explicamos:

  • pode ser que uma mesma matéria tenha momentos presenciais e momentos a distância, ou pode ser que apenas algumas matérias da grade sejam realizadas online;

  • a parte EAD pode corresponder a aulas, com explicação de um professor, ou somente à realização de exercícios;

  • se você tiver aulas online, elas podem ser gravadas ou transmitidas ao vivo.

Esses são apenas alguns exemplos de como o ensino híbrido pode variar. Existem até instituições que apostam na integração do EAD com o presencial: na própria sala de aula, o professor divide a turma e, enquanto uma parte dos alunos realiza atividades com ele, a outra realiza atividades online. Esse tipo de metodologia é conhecida como “rotação por estações”.

Porém, existe algo que não muda, não importa qual seja a metodologia adotada; e saber disso é muito importante para entender como funciona o ensino híbrido. Está preparado? Então, anote aí:

As atividades presenciais e as atividades EAD possuem a mesma importância dentro do curso. Em outras palavras, você não deve achar que a parte a distância do curso é menos importante, pois esse é um grande mito.

Quer ver um exemplo? Mesmo para as atividades a distância, a presença é registrada e considerada um requisito indispensável para a aprovação do aluno. Isso significa que o fato de que você pode realizá-las em outro lugar não é um incentivo para não realizá-las.

A parte EAD do curso pode corresponder a aulas teóricas, transmitidas ao vivo pela internet. Nesse caso, cada aluno precisa estar logado ao sistema da faculdade, com seu usuário e senha únicos, no dia e horário das aulas. Se você não estiver, o sistema registra uma falta, que é computada para calcular sua frequência geral na matéria. Quem não assiste às aulas online pode ser reprovado, mesmo que o professor nem esteja vendo os alunos.

A parte EAD também pode corresponder a algumas atividades de fixação da matéria que, em geral, não propõem desafios reflexivos aos alunos. São atividades apenas para a compreensão e memorização de conceitos. Essas atividades podem ser desenvolvidas na plataforma da faculdade, onde fica registrado quantos exercícios o aluno respondeu e, até mesmo, a sua taxa de acertos. Se o aluno termina o semestre sem realizar essas atividades, ele pode perder pontos na nota, da mesma maneira que aconteceria se ele não entregasse um trabalho pedido pelo professor na sala de aula.

É claro que a questão da frequência e da nota não é o único motivo para ter uma postura responsável em relação à parte EAD do ensino híbrido. O fator principal é o seu aprendizado.

Por exemplo, no caso das aulas teóricas, o conteúdo tem a mesma relevância se for apresentado na sala de aula ou transmitido pela internet. O que faz com que esse tipo de atividade seja desenvolvida a distância no ensino híbrido é o fato de que ela não perde qualidade com isso. Na aula online, os alunos podem acompanhar a explicação do professor pela tela do computador e fazer perguntas pelo chat.

Resumindo, seja responsável com as atividades online, pois elas são tão necessárias para o seu aprendizado geral na matéria quanto as atividades presenciais.

E isso nos leva ao outro ponto importante sobre o ensino híbrido, que é o fato de que a divisão entre presencial e EAD sempre é feita tendo em vista o que é melhor para o aluno. Assim, se certa matéria, ou parte de uma matéria, é desenvolvida a distância, isso é feito porque traz algum benefício. Vamos falar mais sobre isso no próximo item.

Quais são os benefícios para o aluno?

Agora, você provavelmente deve estar se perguntando: por que escolher o ensino híbrido na faculdade, em vez de apostar em um curso totalmente presencial ou, até mesmo, totalmente a distância? Bom, existem vários benefícios que essa modalidade “mista” tem a oferecer, e você vai conhecer alguns deles agora.

Associa flexibilidade à experiência da faculdade

Se você sonha com aquela experiência de vida universitária, um ambiente onde você tem contato com outros jovens e com professores inspiradores, provavelmente quer fazer aulas presenciais. Porém, se você tem outros compromissos — especialmente familiares ou de trabalho — pode não ser viável passar muito tempo dentro da faculdade.

É aí que o ensino híbrido entra: como uma alternativa que reúne um pouco de cada. Por um lado, você vai ter momentos de debate, de apresentações, de seminários. Por outro, as atividades que podem ser realizadas sem o contato direto com os colegas e o professor, sem que isso provoque prejuízo ao seu aprendizado, vão ser feitas a distância. Dessa forma, você pode realizá-las em qualquer lugar que seja mais conveniente para você.

Permite que você comece a ganhar experiência mais cedo

Você sabe qual é uma das principais dificuldades que os alunos de cursos 100% presenciais encontram durante a faculdade? Como eles precisam estar em sala de aula, eles não podem procurar estágios nos primeiros anos da graduação. Isso só é possível no terceiro ou quarto ano, quando a carga horária do curso diminui.

Enquanto isso, alunos que possuem uma parte da carga horária na modalidade EAD têm um pouco mais horários livres. Isso significa que, se você quiser, pode começar a ganhar experiência bem mais cedo. Não custa lembrar que os estágios valorizam seu currículo, além de oferecer uma perspectiva que complementa aquilo que você aprende na sala de aula.

Estimula a autonomia do aluno

Por um lado, a convivência em sala de aula é muito rica, já que possibilita a troca constante de opiniões e informações. Por outro, no entanto, também existe um lado não muito bonito dessa modalidade de ensino: ela cria uma dependência do aluno em relação ao professor. O docente dita o que deve ser feito a cada momento e o aluno faz, porque sabe que está sendo observado.

O ensino a distância quebra essa dependência, porque o professor não está mais vigiando o estudante. Você pode ligar seu computador, acessar o site da aula e ir dormir. Qual é o problema? O docente nem vai saber que você não está realmente ali! Pois é, esse tipo de raciocínio faz com que muitos alunos não consigam lidar bem com a liberdade de um curso totalmente a distância. No final das contas, acabam prejudicando a si mesmos.

Então, o ensino híbrido é uma alternativa que dosa um pouco das duas coisas. Por um lado, você não será totalmente dependente do professor, porque existem momentos de atividades a distância em que o estudante é responsável por si mesmo. Porém, logo em seguida você volta para a sala de aula, onde o professor dita o ritmo. Essa alternância ajuda os alunos a se tornarem mais autônomos, sem um grande choque de liberdade.

Explora recursos inovadores

Vamos ser honestos: a tecnologia evoluiu muito nas últimas décadas. Ela está cada vez mais dinâmica e interativa. Com recursos como Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Inteligência Artificial, ela tem o potencial para ser um grande recurso de apoio ao aprendizado.

Não estamos sugerindo que a tecnologia deva entrar na sala de aula para substituir o professor ou os métodos de ensino que já são empregados. Em vez disso, é interessante ter uma parte do curso que seja desenvolvida apenas para explorar esses recursos, de forma complementar às atividades da sala de aula.

Com o ensino híbrido, as partes EAD do curso podem oferecer uma oportunidade perfeita para empregar recursos tecnológicos avançados ao aprendizado. Você vai descobrir que existe muito mais no ensino a distância do que videoaulas e apostilas em PDF.

Personaliza o ritmo de estudo

Uma das coisas que o ensino presencial não pode oferecer aos estudantes na faculdade é a personalização do ritmo da aula. Afinal de contas, com mais trinta alunos na sala, o professor não consegue atender às necessidades individuais de cada um. É normal que a aula pareça muito lenta para aqueles que já entenderam a matéria, e muito rápida para aqueles que ainda estão com dificuldades.

Felizmente, o ensino híbrido permite resolver esse problema, porque quando você retorna à sua casa pode utilizar o material complementar online para estudar a matéria no seu ritmo. Assim, você otimiza seu tempo para estudar mais as partes que considera difíceis, enquanto apenas revisa rapidamente aquelas que considera mais fáceis.

Você pode até estar pensando que, sob essa ótica, o ensino totalmente à distância seria ainda melhor. Nele, seria possível ter a personalização do ritmo em todos os momentos, e não apenas em uma parte das matérias.

Você não está errado, mas tome cuidado! É importante que você desenvolva a habilidade de acompanhar o ritmo de outras pessoas. Isso será necessário sempre que você trabalhar em equipe ao longo da vida, porque você não pode simplesmente forçar os demais a seguir seu movimento o tempo todo.

Então, se você acha que fazer a faculdade online é uma boa alternativa porque o curso é totalmente individualizado, está caindo em uma armadilha. Considere apostar no ensino híbrido, que vai dar a oportunidade de também aprender a adaptar o seu próprio ritmo às pessoas à sua volta.

Aproveita melhor as aulas presenciais

Existem diferentes metodologias que cada faculdade pode adotar para integrar a parte presencial e a parte EAD de um curso na modalidade de ensino híbrido. Uma dessas metodologias é fazer com que as partes a distância funcionem como uma preparação para as aulas em sala. Assim, quando o aluno chega para o momento da interação com o professor e os colegas, ele não “cai de paraquedas”, e pode aproveitar melhor para tirar dúvidas complexas e produzir reflexões sobre o assunto.

É claro que essa metodologia só funciona se houver o comprometimento dos próprios alunos em realizar as atividades EAD antes das aulas presenciais. Portanto, ter consciência da importância dessa ordem para o aproveitamento do curso é indispensável.

Melhora o contato entre os alunos e os professores

Ficou confuso? Pois é, o ensino híbrido é mais positivo para o contato entre alunos e professores do que a modalidade presencial ou EAD.

Na modalidade presencial, 100% da carga horária das matérias é dada em sala de aula. Isso significa que o professor gasta uma enorme quantidade de tempo dessa maneira, além do que ele gasta preparando as aulas ou corrigindo provas e trabalhos. Você geralmente vai vê-lo correndo de um lado para o outro nos intervalos. Ele não tem muita disponibilidade para atender os alunos fora do próprio horário da aula, e até conseguir uma resposta por e-mail pode ser difícil, às vezes.

No caso da modalidade EAD, o professor gasta bem menos tempo com as aulas em si, já que muitas vezes elas são gravadas uma única vez e reproduzidas para todas as turmas. O professor dessa modalidade realmente tem mais tempo. O que ele não tem é proximidade direta com os alunos, porque não interage com eles. Não os conhece de perto.

Com o ensino híbrido, o docente tem mais tempo livre, sem perder a proximidade com os alunos. Então, você tem o melhor dos dois mundos: um professor que sabe quem você é e que tem disponibilidade para te atender quando você precisa.

Outras dúvidas comuns sobre ensino híbrido

Antes de encerrar este guia, vamos tentar responder a mais algumas dúvidas que os jovens têm sobre cursos de graduação na modalidade ensino híbrido. Que tal conferir se a sua pergunta está aí abaixo?

O ensino híbrido é mais barato do que o presencial?

O preço do curso tem pouca relação com a modalidade do curso, seja presencial, EAD ou híbrido. Em vez disso, o valor da mensalidade é definido por um conjunto bem mais complexo de fatores, que vai desde a reputação da instituição no mercado de trabalho até o quanto ela investe em recursos educacionais para seus alunos.

Uma instituição que investe em tecnologia para melhorar a experiência dos alunos com as partes do curso que são realizadas a distância pode ter um encarecimento nas mensalidades. A verdadeira questão é: será que vale a pena escolher a faculdade pelo preço, em vez da qualidade do ensino?

E, se você estiver pensando em alternativas para pagar a faculdade, pode ficar tranquilo. A próxima questão vai jogar um pouco de luz nesse assunto.

Existem opções financeiras para cursos na modalidade de ensino híbrido?

Outra dúvida recorrente é se você pode solicitar auxílio financeiro, especialmente FIES ou Prouni, para cursos que não são totalmente presenciais.

Apenas relembrando: o FIES e o Prouni são programas do governo federal para facilitar o acesso dos brasileiros ao ensino superior privado. O FIES oferece financiamentos estudantis, ou seja, você paga apenas uma parte do curso enquanto está estudando, e o resto depois que se forma. O Prouni oferece bolsas de estudo, que podem ser de 50% ou 100% do valor da mensalidade.

Este último oferece bolsas para cursos em todas as modalidades. Já o primeiro apenas financia estudantes de cursos presenciais, mas existem propostas para ampliar a oferta a outras modalidades.

Além dessas alternativas, você pode também conseguir bolsas estudantis e financiamentos por meio de programas da própria instituição ou, ainda, recorrer às instituições bancárias. A principal diferença está nos juros, que são mais altos.

Um curso na modalidade de ensino híbrido recebe o mesmo diploma que o presencial?

Sim. Independentemente da modalidade de ensino, você receberá o mesmo diploma. Aliás, o diploma da graduação nem chega a especificar a modalidade; isso significa que, apenas olhando para o documento, não é possível identificar se você fez o curso presencial, EAD ou híbrido.

Porém, fique atento: somente instituições e cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação podem fornecer diplomas válidos, que têm valor no mercado de trabalho. Então, é importante escolher uma instituição que esteja com sua situação regularizada diante do MEC e, claro, que ofereça um ensino de qualidade.

Posso prestar concursos públicos com um diploma de graduação na modalidade de ensino híbrido?

Quem sonha em ser funcionário público no futuro, pode ficar tranquilo. Os concursos de nível superior, na grande maioria dos casos, não exigem que a graduação dos candidatos seja presencial. Assim, diplomas de cursos na modalidade híbrida são aceitos normalmente!

Mesmo assim, é sempre necessário ler o edital dos concursos. Se houver qualquer restrição, vai estar descrita por lá.

O ensino híbrido é melhor do que o ensino presencial ou EAD?

Essa é uma boa pergunta para encerrar nosso post, porque você talvez tenha a impressão de que nossa mensagem é essa: o ensino híbrido é a melhor opção para todas as pessoas, em qualquer situação. Não é isso.

As três modalidades de ensino têm suas vantagens. Além disso, cada um pode se adaptar melhor a uma delas, de acordo com suas condições pessoais. O que nós apresentamos foram os aspectos positivos de um curso que combina aulas presenciais e ensino a distância, para que você decida por si mesmo se essa é a opção certa para você.

Uma pessoa que já trabalha e que tem uma família e uma casa para cuidar, por exemplo, pode preferir a graduação EAD, porque a flexibilidade total de horário e lugar para estudar é sua prioridade. Enquanto isso, alguém que não tem nenhuma outra obrigação além dos estudos e que tem uma condição socioeconômica privilegiada pode achar que vale a pena se dedicar a uma experiência completamente presencial na faculdade.

E vamos encerrando por aqui nosso miniguia do ensino híbrido. E aí, conseguiu encontrar as respostas de que precisa para decidir se essa é a escolha certa para você?

Se ainda não chegou a uma conclusão, tudo bem. Você ainda pode ler mais sobre o assunto, aqui no nosso blog, ou buscar informações com pessoas que já tiveram contato com o ensino híbrido, para saber como foi a experiência delas com essa modalidade.

Já decidiu? Legal! Porém, não se esqueça de que a escolha da instituição é tão importante quanto a escolha da modalidade. Então, pesquise bem para decidir onde é o lugar ideal para fazer sua graduação.

Quer mais dicas para escolher a faculdade com segurança? Assine a newsletter da UCEFF e fique por dentro de todos os nossos conteúdos exclusivos!

 

Facebook Comments