Entrar na faculdade é o sonho de milhares de jovens em todo o Brasil. Infelizmente, nem todos sabem como concretizá-lo. Alguns não conhecem as maneiras de conseguir uma vaga; outros não sabem as opções para pagar a mensalidade.

Se esse é o seu caso, este post é para você! Vamos explicar, com detalhes, tudo o que você precisa saber sobre as principais formas de ingresso na faculdade particular. Vamos lá?

As diferentes formas de ingresso no ensino particular

Quando você pensa em faculdade, sua primeira associação, provavelmente, é com a prova do vestibular. Você pensa em milhares de outros jovens, como você, acordando nervosos em um domingo qualquer e saindo de casa para fazer uma prova superdifícil, de quatro ou cinco horas de duração — e que vai definir boa parte da sua vida. Certo?

Bem, apesar de não ser uma visão errada, cuidado para não achar que o vestibular é a única maneira de conseguir sua vaga no Ensino Superior. Existem outras formas de ingresso na faculdade, especialmente quando falamos em uma instituição privada. Confira!

1. ENEM

O ENEM era, originalmente, uma prova para avaliar a educação no Brasil para o Ensino Médio. Nos últimos anos, tornou-se uma das formas de ingresso nas faculdades mais populares que existem. Por quê? Bom, vejamos alguns motivos.

Em primeiro lugar, a taxa de inscrição do ENEM é mais acessível. Em 2018, o valor para fazer a prova foi de R$82. Muitas faculdades cobram mais de R$100 para que um estudante possa fazer a prova do vestibular.

Em segundo lugar, com a nota do ENEM, você pode se candidatar para vagas em muitas faculdades. Em outras palavras, você faz uma prova apenas e ganha a chance de estudar em quase qualquer instituição do país. Compensa muito mais do que fazer a prova de vários vestibulares diferentes, não é mesmo?

Em terceiro lugar, o ENEM é obrigatório para conseguir alguns auxílios financeiros do Governo, como o FIES e o PROUNI. Vamos falar mais sobre eles nos próximos itens. Por enquanto, basta saber que, se quiser ter direito a uma bolsa ou a um financiamento estudantil — oferecidos pelo Estado —, é necessário fazer o ENEM!

Bom, esses motivos devem ser o bastante para convencer você de que o ENEM é uma das melhores formas de ingresso na faculdade. Vamos apenas relembrar como funciona?

O exame acontece em outubro em dois domingos consecutivos. São quatro provas objetivas (isto é, com questões de múltipla escolha) e cada uma delas tem 45 questões. As provas são divididas em:

  • Ciências humanas e suas tecnologias (história, geografia, filosofia, sociologia);
  • Ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, física, química);
  • Linguagens, códigos e suas tecnologias (português, inglês/espanhol);
  • Matemática e suas tecnologias (matemática).

Além disso, é preciso escrever uma redação de até 30 linhas, um texto dissertativo-argumentativo, a partir de um problema levantado pela banca examinadora. Normalmente, os problemas dizem respeito a questões políticas, sociais ou culturais relevantes.

No ano de 2017, houve uma grande polêmica em torno da redação do ENEM. A pergunta era: redações com um ponto de vista que vai contra a preservação dos direitos humanos devem ser anuladas? Ou a anulação deveria ser apenas ligada a erros técnicos, de escrita? Bom, no final das contas, o melhor é sempre tomar cuidado para não ofender os direitos humanos na sua redação! Uma boa dica é ler um pouco mais sobre o assunto — como bem explicado no site da Organização das Nações Unidas (ONU).

2. Vestibular tradicional

Como já falamos lá no começo, quando você pensa nas formas de ingresso na faculdade, o vestibular tradicional é a primeira que vem à mente. Tudo bem! Realmente, estamos acostumados com essa forma de processo seletivo.

O vestibular tradicional nada mais é do que uma prova realizada em uma data específica determinada pela faculdade. O conteúdo também é selecionado pela faculdade, assim como o formato, a quantidade de questões, o tempo de duração e até a forma de calcular a pontuação dos participantes.

A grande vantagem do vestibular tradicional é justamente o fato de a faculdade conseguir flexibilizar a prova. Assim, atende melhor ao propósito de selecionar estudantes com o perfil adequado para aquela instituição. Por exemplo:

  • uma certa faculdade pode optar por incluir filosofia no conteúdo exigido, e outra não;
  • uma faculdade pode fazer um vestibular com provas 100% subjetivas (isto é, com questões dissertativas);
  • uma faculdade pode não aplicar redação em seu vestibular;
  • uma faculdade pode dividir a prova em mais ou menos dias, de acordo com a quantidade de questões aplicadas.

Para você, estudante, isso também significa mais flexibilidade! Você pode fazer apenas os vestibulares que se encaixam mais no seu perfil. Lembre-se, afinal, de que o tipo de vestibular reflete as principais características da instituição de ensino.

Aliás, fica aqui uma recomendação: leia muito bem o manual do candidato e busque provas dos anos anteriores!

Se você vai prestar o vestibular de uma faculdade, não adianta saber apenas o dia e o horário da prova. É importante estar por dentro de quais conteúdos serão cobrados, quais são os modelos de questão, quais tipos de pegadinha são mais comuns e assim por diante. Essa preparação aumenta muito as suas chances de ser aprovado.

Antes de encerrar esse tópico, mais uma informação importante: não perca os prazos de inscrição para o vestibular! Algumas faculdades oferecem o processo seletivo duas vezes ao ano — outras, não. Um dia de atraso pode ser a diferença entre começar a faculdade ou ficar mais um ano no cursinho.

3. Vestibular agendado

O vestibular agendado é uma solução inteligente para um problema antigo: conflitos de agenda. A maioria dos estudantes que desejam ingressar em uma faculdade fazem dois, três, cinco ou até dez provas de vestibulares. É inevitável, portanto, que alguns exames caiam no mesmo dia, o que força você a escolher qual prova fazer.

Pensando nisso, as faculdades criaram o vestibular agendado. Nesse caso, você escolhe o dia — entre as datas e horários disponíveis — para fazer sua prova. Assim, é possível conciliar todos os compromissos.

Para evitar fraudes no vestibular agendado, a instituição busca elaborar vários modelos de prova (trocando a ordem das questões, mudando detalhes nos enunciados ou alterando o tema da redação). Isso significa que um aluno não vai poder passar as respostas para o outro, que vai fazer a prova em um dia diferente.

Algumas pessoas acreditam que o vestibular agendado é mais fácil do que o tradicional. A lógica por trás desse raciocínio é que, como a faculdade terá que aplicar vários modelos de prova, isso vai dar mais trabalho na hora de corrigir. Portanto, as provas são mais simples, para compensar.

Porém, tome cuidado! Mesmo que a prova seja mais simples, o nível de cobrança nas respostas pode ser bem mais alto. Afinal, você está fazendo o vestibular no dia e no horário mais convenientes, então, a faculdade espera que você chegue bem preparado. Portanto, não pense que vai poder chutar o balde no vestibular agendado!

4. Vagas remanescentes

Muitas faculdades particulares também criam um processo seletivo para vagas remanescentes, isto é, as vagas que sobram depois da matrícula dos aprovados. Essa é mais uma das formas de ingresso na faculdade — principalmente para quem perdeu os prazos ou foi mal no vestibular.

Entretanto, fica a dica: não aposte no processo seletivo para vagas remanescentes como sua alternativa principal. Tenha em mente que essa opção oferece, literalmente, as vagas que sobram. Desse modo, pode ser que não tenha nenhuma vaga naquele curso que você deseja.

De maneira geral, o processo para vagas remanescentes ocorre entre dezembro e fevereiro. A data exata depende de quando a faculdade encerra as chamadas dos aprovados no vestibular oficial.

5. Transferência

Se você já faz algum curso superior e quer entrar em outra faculdade, não precisa enfrentar os processos seletivos de novo! Basta abrir um pedido de transferência entre as instituições de ensino.

Fazendo a transferência, você pode reaproveitar as matérias já cursadas. Dessa maneira, não vai precisar começar do zero. Mas é claro que a possibilidade de fazer o reaproveitamento depende do curso que você estava fazendo e do curso para o qual pediu transferência. Se eles não tiverem nenhuma matéria em comum, bom, aí não tem jeito: tem que recomeçar, mesmo.

Não existe data ou prazos para a transferência — o aluno pode mudar de instituição no primeiro ano ou no último. Mas você, provavelmente, não vai conseguir fazer o processo durante o semestre. Portanto, leve os estudos com seriedade até o fim do período na faculdade em que você está agora.

As diferentes alternativas para custear o ensino particular

Então, você garantiu a sua vaga. Agora, chega o momento de maior tensão: será que vai dar para pagar as mensalidades? Novamente, nosso conselho é que você não se preocupe. Existem boas alternativas para ajudá-lo a custear os estudos sem ficar com o nome sujo na praça. Descubra!

FIES

O FIES — Fundo de Financiamento Estudantil — é um projeto do Governo Federal para promover a educação superior no Brasil. Seu objetivo é oferecer uma opção de financiamento para que pessoas de baixa renda consigam pagar a faculdade.

É importante ficar atento, pois o FIES não é uma bolsa, e sim um empréstimo. Isso significa que, depois de formado, você terá que devolver o valor recebido para o Governo. Mas não se preocupe, pois todas as condições do programa são bastante acessíveis — para garantir que você vai conseguir pagar o financiamento sem dificuldades. Vamos entender melhor como funciona?

Em primeiro lugar, existem requisitos para solicitar o FIES. É preciso que você:

  • tenha renda familiar mensal bruta de até 3 salários-mínimos por pessoa;
  • tenha feito o ENEM, com nota nas provas igual ou superior a 450 pontos e sem zerar a redação;
  • esteja matriculado em um curso de graduação não-gratuito e com conceito mínimo de 3 na avaliação do SINAES (uma avaliação dos cursos superiores brasileiros).

Se atender a todos esses requisitos, você pode se inscrever para o FIES. Depois que o financiamento for liberado, você entra na primeira fase de pagamento. Existem três fases:

  • fase de utilização;
  • fase de carência;
  • fase de amortização.

A fase de utilização corresponde ao período em que você está cursando a graduação. Nessa fase, você pagará R$150 (no máximo), a cada três meses. Esse pagamento é referente apenas aos juros do financiamento! A taxa de juros do FIES é fixa: 6.5% ao ano;

Depois que você se formar, entra na fase de carência, que dura 18 meses a partir da conclusão do curso. Nessa fase, você continua pagando R$150 a cada três meses, também referente aos juros.

Finalmente, a fase de amortização é a hora de pagar o financiamento. Tem duração equivalente a três vezes o período do financiamento. Por exemplo, se você fez um curso de 5 anos e usou o FIES para financiar 3 anos, vai ter 3 x 3 anos para pagar — ou seja, 9 anos (108 meses).

Financiamento por meio da universidade

Algumas faculdades oferecem o financiamento aos estudantes, utilizando seus próprios recursos. Essa é uma boa alternativa pois, em geral, os juros são menores do que você pagaria em um financiamento bancário. Os prazos para pagamentos também podem ser maiores. E, caso seja preciso renegociar a dívida, a burocracia é reduzida.

Quando a faculdade oferece financiamento, é sempre um bom sinal. Significa que ela tem boas razões para acreditar que os alunos formados vão ter condições de devolver o dinheiro do crédito estudantil. Você pode ter certeza de que isso aponta para um bom índice de empregabilidade — isto é, facilidade de conseguir emprego depois da faculdade.

Fique atento! Se escolher o financiamento da faculdade, você deve assumir um compromisso ainda maior com relação ao seu desempenho. Afinal, a própria instituição está custeando (mesmo que temporariamente) os seus estudos. Procure saber, inclusive, quais são as regras para não haver a suspensão do benefício.

Financiamento por meio de bancos

Se você não for contemplado no FIES e a sua faculdade não tiver um programa de financiamento próprio, fique calmo. Ainda existem outras alternativas! Que tal procurar uma instituição bancária?

A maioria dos bancos tem uma linha de crédito específica para estudantes que precisam pagar a faculdade. Se você já possui uma conta-corrente na instituição financeira, isso simplifica as coisas; se não, será preciso abrir uma. Se for menor de idade, você pode conversar com seus pais, para que eles peçam o financiamento.

Para liberar o dinheiro, os bancos fazem uma análise do seu perfil e do perfil familiar. Assim, eles podem determinar qual é o risco de inadimplência — ou seja, o risco de que você não pague o valor devido. Então, realmente, ajuda muito se você e seus pais estiverem livres de pendências com serviços de proteção ao crédito.

Bolsas de estudo

Além do financiamento, você também pode contar com bolsas de estudos para aliviar o custo da faculdade.

O tipo mais comum de bolsa de estudo é o desconto na mensalidade. Conforme a instituição, o curso, a sua situação socioeconômica e o seu desempenho, você pode conseguir até mesmo uma bolsa integral!

As bolsas de estudo institucionais são custeadas pela própria faculdade. Diferentemente do financiamento, você não precisa devolver nenhum valor depois de formado. Porém, se quiser manter sua bolsa, é bom ficar atento! Você pode perder o desconto se atrasar parcelas, trancar o curso ou apresentar mau desempenho.

PROUNI

Para quem pretende estudar em uma faculdade privada, o PROUNI é uma alternativa de ouro. O Programa Universidade para Todos consiste em bolsas de estudos concedidas pelo Governo federal a estudantes de baixa renda.

Com o PROUNI, é possível conseguir bolsa parcial de 50%, no caso de estudantes com renda familiar de até 3 salários-mínimos por pessoa. Você também pode correr atrás de uma bolsa integral, se tiver renda familiar de até 1.5 salário-mínimo por pessoa.

Além disso, é preciso atender aos mesmos requisitos da nota do ENEM que são aplicados ao FIES. Para completar, é necessário que a instituição de ensino seja participante do programa. Nem todas as faculdades aderiram ao PROUNI, então, informe-se bem!

Além disso, ao contrário do FIES — que aceita novas solicitações em fluxo contínuo ao longo do ano —, o PROUNI tem datas específicas para que o estudante possa pedir bolsas. Você deve ficar atento aos calendários, para não perder uma oportunidade tão importante!

Outras bolsas

Além dessa modalidade de bolsa, você ainda pode buscar outras. Veja três exemplos.

Bolsa de iniciação científica

É um auxílio financeiro, oferecido aos alunos que desenvolvem uma pesquisa, sob supervisão de um professor. Tem duração de um ano, mas pode ser prorrogada (geralmente, por mais um ano). Os recursos podem partir da própria faculdade ou de uma instituição de fomento à pesquisa, como FAPESP, CNPq ou CAPES.

Bolsa de auxílio docente

É oferecida aos alunos que ajudam o professor na realização de atividades para uma determinada matéria (os chamados “monitores”). Você pode ter que preparar materiais, copiar documentos ou tirar dúvidas dos alunos. A bolsa é semestral e você só pode auxiliar o professor em uma matéria que você já completou.

Bolsa estágio

Normalmente, não é oferecida pela faculdade, mas por uma empresa que seleciona alunos para desenvolver atividades profissionais e de capacitação. O valor depende da carga horária do estágio e do tipo de trabalho desenvolvido. A preferência dos recrutadores é para alunos que estão no terceiro ano da faculdade, pelo menos. A boa notícia é que os estagiários que se destacam podem ser efetivados depois da formatura.

Outros auxílios da faculdade

Mesmo que você não consiga uma bolsa, a faculdade pode ajudá-lo de outras maneiras! Por exemplo, você pode buscar o setor específico de auxílio ao estudante para pedir ajuda no processo de escolher uma moradia ou identificar os meios de transporte mais acessíveis.

O recado é simples: sempre que precisar de ajuda para tomar decisões ligadas à faculdade, procure o aconselhamento da instituição. Você vai descobrir que ela tem meios para tornar sua vida muito mais fácil durante a graduação!

Mais informações

Sobre a renda familiar

Um ponto que gera muita dúvida nos jovens que buscam um financiamento ou uma bolsa para pagar a faculdade é: o que é renda familiar? Como calcular? Bom, aqui vai uma explicação simples.

Na maioria dos casos, você terá de apresentar a renda familiar bruta por pessoa para conseguir um auxílio financeiro. Isso significa que você vai pegar o valor total (sem nenhum desconto) do salário de todo mundo na sua casa e dividir pelo número de pessoas da família.

Vamos imaginar que João mora com o pai, a mãe e uma irmã. O pai ganha R$2500 e a mãe ganha R$2300 (valores sem descontos). Então, a renda familiar bruta é de R$4800. Já a renda familiar bruta por pessoa é de R$1200.

Em alguns casos, você também terá que apresentar o valor da renda familiar bruta por pessoa em relação ao salário-mínimo. Fácil! Basta pegar aquele valor que você encontrou e dividir pelo valor atual do salário-mínimo. Em 2018, esse valor é de R$954.

O João do nosso exemplo tem renda familiar bruta por pessoa de 1,2 salário-mínimo. Por isso, ele poderia ir atrás de um financiamento do FIES ou até de uma bolsa integral do PROUNI! E você? Já fez os cálculos para descobrir como está a situação financeira da sua família?

Sobre o fiador

Antes de terminar, um recado: muitas das alternativas apresentadas aqui exigem que você tenha um fiador. O fiador é aquela pessoa que coloca o nome nos papéis e, se você não cumprir seus compromissos financeiros, vai assumir a dívida no seu lugar. Muita responsabilidade, não é?

Geralmente, o fiador do estudante são os pais. Mas você precisa conversar bem com eles para saber se podem assumir essa obrigação. Se não for possível, você pode buscar outros parentes ou amigos mais próximos. Não é obrigatório que os pais sejam seus fiadores.

Ufa! Quanta informação! Deu pra perceber que existem várias formas de ingresso na faculdade, não é mesmo? Para quem quer estudar, não tem desculpa!

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