Não importa se você está concorrendo a um estágio, a uma vaga de trainee ou a um emprego (seja em tempo integral, seja em meio período). Você logo perceberá que as empresas buscam por um perfil profissional com várias soft skills. 

Sem elas, as chances de aprovação em um processo seletivo caem drasticamente e o seu currículo é direcionado apenas para o cadastro reserva. Mas, afinal, o que são? Como desenvolvê-las? Como impactam a sua carreira?

Diante de tantas perguntas, preparamos um post completo para sanar suas dúvidas sobre esse tema. De quebra, ainda trouxemos dicas de como obtê-las e aprimorá-las para se destacar não só nos recrutamentos, mas nos empregos que você conquistar. Acompanhe!

O que são soft skills?

Soft skills. É, o nome pode causar um certo estranhamento, porém, esse termo inglês se tornou bastante popular no mercado de trabalho nos últimos anos, despontando como um dos aspectos que mais são avaliados nos processos de seleção e recrutamento que as empresas realizam.

E qual é a razão disso? Bem, para explicarmos o motivo, é preciso, antes de tudo, entender o que essas duas palavras significam. Numa tradução livre, soft skills quer dizer habilidades básicas de caráter subjetivo. Isto é, aqueles aspectos comportamentais e emocionais de cada indivíduo que podem ser desenvolvidos a partir de experiências pessoais, sem a necessidade de instrução.

Portanto, são as aptidões mínimas que uma pessoa precisa ter para ingressar e, acima de tudo, se manter em um emprego. As organizações comerciais, industriais e de serviços estabeleceram um conjunto delas por entenderem que o profissional do século XXI não pode se resumir ao conhecimento teórico e prático que tem sobre a área de atuação que escolheu. Não que isso não seja importante.

A questão é que, para além das competências que cada profissão demanda — as chamadas hard skills ou habilidades complexas de caráter instrucional, em português (uma vez que são aprendidas com anos de formação acadêmica, estudos de extensão e experiência de atuação) —, há as habilidades que são cruciais para o funcionário se alinhar ao ambiente de trabalho.

Basta lembrar que, ao atuar em uma companhia, é preciso seguir as normas internas dela, estar de acordo com os valores que ela preza, trabalhar em equipe, bater as metas estipuladas pelos departamentos, divulgar a organização, desenvolver projetos para aumentar a lucratividade e por aí vai. Ou seja, sem a capacidade de se integrar, se adaptar e se comunicar com seus colegas e superiores, dificilmente você conseguirá permanecer empregado no mesmo canto.

É por isso que as soft skills são tão importantes, pois, por mais que você seja um especialista no seu ramo e tenha uma vasta e comprovada qualificação profissional, se torna inviável para as empresas manter alguém que não se adapta ao clima organizacional, à equipe, aos objetivos mercadológicos e às regras dela. 

Em caso de insistência, a pessoa pode acabar se tornando uma despesa operacional e até atrapalhar a performance dos outros colaboradores. Portanto, para se destacar no mercado e ter uma carreira ascendente, só há um caminho: um leque diversificado de habilidades.

Quais as soft skills mais requisitadas pelo mercado?

Há pouco, explicamos o que, afinal de contas, são as soft skills e o peso que elas têm para a carreira do profissional do futuro. Contudo, você deve estar se questionando sobre quais são elas na prática, não é mesmo? Por isso, listamos as mais relevantes habilidades que você deve começar a aprimorar desde já para atender às demandas do mercado. Confira nossa seleção!

Boa comunicação

Para começar, há a boa comunicação. Porém, não se engane: isso não que dizer ter domínio sobre a língua portuguesa, seja ela falada, seja ela escrita — embora, é claro, essa característica seja indispensável. Na verdade, quando falamos em comunicação, nos referimos à capacidade de se expressar de maneira eficaz e concisa. É conseguir transmitir uma mensagem sem gerar ruídos ou mal-entendidos.

Para tanto, você deve desenvolver bons hábitos ligados à comunicação. Por exemplo, saber como controlar a sua linguagem não verbal, expandir o seu vocabulário, desenvolver uma boa oratória para situações em que for preciso se manifestar em público e aprender gatilhos que sirvam para aliviar o estresse e impedir que as suas emoções afetem a sua retórica em momentos críticos.

Colaboração

A colaboração, por sua vez, é uma habilidade crucial para a harmonia do ambiente laboral. Afinal, ao realizar um trabalho em grupo, muitas vezes, você vai ter que ceder em um ponto, abrindo mão de algo que queria, conciliar ideias, debater pontos de vista diferentes, realizar uma atividade com a qual não tem muita afinidade e se esforçar mais do que o esperado para ajudar os colegas.

Tudo isso porque o coletivo deve sempre prevalecer sobre o individual. Na realização dessas tarefas, não há espaço para ego ou atitudes egoístas. É justamente o oposto: o foco deve ser a reciprocidade e o suporte contínuo ao outro. Do contrário, a equipe toda pode sair prejudicada, o que afetará o desempenho do departamento e, consequentemente, da organização.

Pensamento criativo

O pensamento criativo também é uma das soft skills mais valorizadas pelo mercado — e é fácil entender por quê. Em tempos de alta competitividade comercial, intenso volume de informações globalizadas e consumo contínuo e crescente pela internet, é preciso usar a criatividade para se diferenciar da concorrência, chamar a atenção do consumidor e aumentar a lucratividade do negócio, garantindo, assim, a viabilidade dele.

Vale mencionar, ainda, que muitos nichos de mercado procuram produtos e serviços personalizados e com uma proposta mais autoral, justamente para desfrutar de um sentimento de exclusividade e reconhecimento social.

Por esse motivo, as organizações estão de olho em profissionais que possam proporcionar isso ao público. Logo, aqueles gostam de inovar, têm um olhar antenado para o que é viral no meio virtual e dão um toque artístico ao próprio trabalho saem na frente em processos seletivos e recrutamentos.

Adaptabilidade

A quarta soft skill da nossa lista é a adaptabilidade. A razão disso é que muitos profissionais ativos nos segmentos em que escolheram atuar se fecham em verdadeiras bolhas por não quererem sair da zona de conforto.

Porém, o mercado está em constante mudança e evolução não só em relação às práticas trabalhistas e ao ambiente laboral que as empresas mantêm, mas também em relação aos equipamentos e ferramentas que são utilizados, aos tipos de serviço que podem ser prestados e à possibilidade de atividades remotas. Logo, conseguir se adaptar, investir em conhecimento e ficar atento às novidades da sua área é crucial.

Resiliência

A resiliência, por sua vez, é a habilidade de encarar as adversidades e os desafios da vida profissional de maneira positiva, por mais difícil que isso pareça à primeira vista. Isso, porque, enquanto muitos desistem frente a um problema ou um empecilho no caminho, levando-os a não conseguir seguir em frente, são aqueles que conseguem aprender com as próprias falhas que prosperam.

Justamente por isso, as empresas buscam por colaboradores com esse perfil resiliente, pois, em tempos de dificuldade econômica, marketing ineficiente, projetos embargados e parcerias limitadas, eles não vão jogar a toalha e simplesmente se desligar da organização. Ao contrário, vão ser capazes de avaliar a situação e pensar em soluções que coloquem o negócio novamente nos trilhos.

Empatia

Perpassando as demais soft skills já citadas, não podemos deixar de falar sobre a empatia. Isso, porque a capacidade de entender o próximo, colocando-se no lugar de cada pessoa, buscando compreendê-la e sendo tolerante, é indispensável para um bom profissional ter sucesso e ser querido em qualquer local em que atue.

Basta ter em mente que, independentemente da carreira escolhida, é inevitável: você sempre trabalhará com mais gente, eventualmente integrará várias equipes ou setores e, em alguns casos, ainda lidará com diferentes indivíduos todos os dias (como clientes, parceiros, pacientes, fornecedores, personalidades da mídia etc.). 

Portanto, ter a empatia como parte da sua postura profissional e ser capaz de adotá-la nos seus relacionamentos interpessoais fará toda a diferença na sua trajetória.

Liderança

Por fim, há a liderança, que é uma habilidade crucial para quem deseja progredir dentro da empresa em que atua e assumir cargos estratégicos. A razão disso é simples: ser chefe, qualquer um consegue, pois isso requer, basicamente, ditar ordens e supervisionar o trabalho dos subordinados. Agora, ser um líder não é tão simples assim. 

Liderar é engajar os funcionários com um objetivo em comum, é saber delegar tarefas de acordo com o potencial de cada indivíduo, é valorizar e reconhecer os colaboradores que se superam e dão o melhor de si, é ser capaz de reconhecer tanto os próprios acertos quanto os próprios erros, é investir em melhorias para o ambiente de trabalho e pensar constantemente em estratégias para integrar o setor e fortalecer o clima organizacional.

Como adquirir soft skills?

Agora que você já sabe quais são as principais habilidades que as empresas demandam dos profissionais, chegou a hora de tratarmos sobre como adquirir, estimular e aperfeiçoar essas soft skills. Fique atento, pois as nossas sugestões envolvem diferentes cenários e também dicas de como você pode colocar esse aprendizado em prática na sua rotina. Confira!

Graduação

A vida acadêmica é um excelente laboratório para quem quer desenvolver novas soft skills. O motivo disso é bem simples: você viverá situações cotidianas (como trabalhos em grupo, defesas de projetos, provas, aulas práticas e afins) na graduação que vão exigir criatividade, adaptabilidade, resiliência, comunicação clara e precisa, empatia e liderança.

No entanto, para que esse processo seja efetivo, é importante não limitar a experiência apenas à sala de aula. Ao contrário, busque vivenciar ao máximo o que o campus da sua faculdade tem a oferecer. Eventos (como palestras, workshops e oficinas), convênios com empresas locais e programas de iniciação científica, monitoria e extensão são só alguns exemplos de atividades que vão ajudá-lo nessa trajetória. 

Vale mencionar, ainda, que você também pode montar grupos de estudos e participar de projetos de pesquisas e de conferências e congressos (inclusive a nível nacional). Resumindo: as possibilidades são as mais diversas! Portanto, não deixe de escolher uma instituição de renome e ensino de qualidade na sua região que proporcione tudo isso aos alunos.

Projetos de extensão

Para quem está se graduando, há outra possibilidade para desenvolver as soft skills e que merece um tópico à parte: os programas de extensão universitária. Isso, porque eles têm um forte caráter social, tornando acessível e democrático o conhecimento que é gerado dentro das faculdades por meio de atividades que beneficiam a sociedade em que estão inseridas.

Por exemplo, alunos de Psicologia e Odontologia podem prestar atendimento gratuito à população em clínicas e hospitais universitários, além de promover ações junto às comunidades carentes, às organizações não governamentais e às instituições de saúde da região. Fora isso, a sua instituição de ensino pode oferecer oficinas e cursos de extensão para complementar a sua formação acadêmica.

Ou seja, são espaços extras para você não só potencializar o seu aprendizado, como, de quebra, afinar e aprimorar seu nível de empatia, comunicação, adaptabilidade e criatividade. Por isso, informe-se a respeito desses programas de extensão para saber os requisitos para participar deles, se há seleção de bolsistas, o horário em que são realizados, a duração das ações, se há custos envolvidos etc.

Intercâmbio

Uma terceira maneira de adquirir e desenvolver soft skills é por meio de um intercâmbio. Afinal, ao estudar no exterior, você precisará de resiliência para lidar com adversidades e novas responsabilidades, senso de autoliderança para ter uma postura proativa quanto às atividades do curso e às oportunidades acadêmicas que podem surgir pelo seu bom desempenho e, é claro, uma alta capacidade de adaptação para estudar em outro idioma e se adequar a uma cultura e a padrões comportamentais diversos.

Isso tudo sem mencionar que a empatia é trabalhada constantemente, pois é por meio dela que você se identifica com outros estudantes internacionais que estão vivendo a mesma experiência que a sua. Dessa forma, há meio caminho andado para estabelecer laços de amizade e, de quebra, promover o seu networking. 

Para realizar um intercâmbio, cheque com a sua instituição de ensino a respeito de convênios e programas de mobilidade acadêmica, atividades educacionais ou visitas guiadas — lembrando que também é possível fazer um intercâmbio voluntário com fins sociais, ambientais e culturais por meio de agências especializadas e entidades internacionais.

Trabalho voluntário

Por fim, mas não menos importante, há o trabalho voluntário, que é excelente para refinar a sua capacidade de empatia e comunicação com o próximo. Afinal de contas, você se engaja com ações de solidariedade para transmitir conhecimento, ajudar quem necessita e transformar a vida de muita gente.

O melhor de tudo é que não faltam opções de voluntariado, pois há inúmeras entidades que demandam apoio de pessoas para resgatar animais abandonados, promover reintegração social para viciados, prestar serviços médicos e ambulatoriais sem fins lucrativos, atuar com serviço jurídico gratuito, realizar assistência aos indivíduos em situação de risco, operar atividades de proteção ambiental etc.

Ah, e tem mais: além de ajudar ativamente a reduzir os problemas sociais da sua cidade, você pode integrar ações de voluntariado em outros países, especialmente aqueles em desenvolvimento. A própria ONU conta com um programa, ativo desde a década de 70 e com atuação em mais de 100 nações — inclusive, há uma vertente dele, a UN Youth Volunteers, que recebe inscrições apenas de jovens entre 18 e 29 anos.

Lembrando que o seu envolvimento com esse tipo de trabalho é muito bem-visto em processos seletivos, principalmente quando você concorre a estágios e ainda não tem experiência profissional. Nesses casos, o voluntariado mostra a sua proatividade, o seu foco e o seu envolvimento com as causas sociais que defende.

Como saber se aplico minhas soft skills corretamente?

Desenvolver as soft skills é crucial para você se sair bem em processos seletivos. No entanto, não basta tê-las. É preciso saber se você consegue, de fato, aplicá-las nas atividades que realiza e se elas são devidamente reconhecidas. Para saber se você faz isso com êxito, a melhor forma, sem dúvidas, é por meio do feedback.

Porém, não se esqueça: esse tipo de retorno pode servir tanto para apontar pontos positivos quanto pontos negativos da sua postura e das habilidades que você tem. Logo, é necessário estar aberto a ouvir críticas e utilizá-las de forma construtiva para crescer, se aprimorar e se tornar um excelente profissional no futuro.

Para tanto, converse com professores que lecionam no seu curso ou o orientam em atividades de extensão e pesquisa na faculdade, além de bater um papo com os seus colegas de graduação com quem você já realizou trabalhos em equipe, projetos, tarefas e demais ações. Caso participe de trabalhos voluntários, também vale a pena papear com outros participantes e supervisores.

A partir daí, você terá diversas pessoas que o acompanham e podem dar um veredito sobre o que acham interessante na sua conduta, o que chama a atenção deles, como você se sai em papéis de liderança, como se relaciona com outros membros da equipe e seu comprometimento com as atividades que realiza.

Como mostrar as minhas soft skills durante a seleção?

Nos tópicos anteriores, nós falamos sobre o que são as soft skills, o porquê de elas serem tão importantes e como é possível adquiri-las e aperfeiçoá-las. Inclusive, apontamos quais delas são as mais requisitadas atualmente pelo mercado de trabalho. Porém, você deve estar se questionando sobre como apresentá-las ou mostrar o seu domínio sobre elas para as empresas durante os processos seletivos, não é verdade?

Afinal, exibi-las pode ser justamente o diferencial de que você precisa para chamar a atenção dos recrutadores e se destacar em relação aos demais concorrentes, conquistando, assim, a vaga de estágio, trainee ou emprego tão desejada. Pensando nisso, trouxemos algumas dicas que vão ajudá-lo de acordo com a sua área de formação. Veja!

Em áreas mais criativas e flexíveis

Caso a sua área seja mais flexível, dinâmica e criativa (como acontece com Arquitetura e Urbanismo, Educação Física e Pedagogia), você pode utilizar o seu currículo como uma carta de apresentação das suas soft skills. A razão disso é que esses segmentos permitem a criação de CVs mais inovadores e até mesmo artísticos. 

Tanto é que é comum que eles tenham layouts diferenciados e mais modernos, nos quais os candidatos apontam quais habilidades têm e o nível de domínio sobre elas. Para completar, é comum que as empresas desses ramos cobrem portfólios com trabalhos prévios, projetos, produções autorais e afins que mostrem o pensamento criativo, a capacidade de colaboração e o nível de comunicação dos concorrentes.

Em áreas mais metódicas e formais

Já nas áreas que são mais metódicas e formais (como Agronomia, Engenharia Civil e Ciências Contábeis), foque o processo de recrutamento. Isso, porque, se você estiver em uma seleção com múltiplas etapas, sendo duas delas a de dinâmica de grupo e a entrevista com o RH e o departamento da empresa que está demandando a contratação, é fundamental saber aproveitar esse momento de interação.

Tenha em mente que, no primeiro caso, por exemplo, você pode colocar em prática as suas competências. Como? Bem simples: liderando equipes, resolvendo múltiplos problemas simultaneamente, demonstrando ter um bom relacionamento interpessoal, sendo o porta-voz do grupo, sabendo se adaptar às situações-problema que são apresentadas (por mais complicadas que pareçam) etc.

Já no segundo caso, usufrua das perguntas que são feitas pelos entrevistadores para apontar e destacar suas experiências acadêmicas, de pesquisa científica, de voluntariado ou mesmo profissionais nas quais você teve a oportunidade de desenvolver suas soft skills. Sem dúvidas, os recrutadores vão estar atentos a cada palavra!

Como mostrado, o mercado busca por profissionais que tenham não apenas as competências técnicas necessárias para estar nos cargos que ocupam, mas também contem com soft skills que potencializem o exercício da profissão. Afinal, essas habilidades facilitam a realização de projetos e tarefas mais complexas, melhoram a integração com a equipe e ainda contribuem para o clima organizacional. Por isso, é indispensável desenvolvê-las para ter uma carreira promissora!

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