Resposta rápida: as empresas esperam que o recém-formado una uma base técnica sólida da área, boa comunicação, capacidade de resolver problemas, disposição para aprender e algum tipo de experiência prática, como estágio, projeto ou atividade de extensão. Ninguém espera um profissional pronto. Esperam alguém que aprenda rápido, trabalhe bem com outras pessoas e entregue com responsabilidade.
Concluir a graduação é um marco importante, mas é só o começo de outra etapa. Segundo o Inep, mais de 1,3 milhão de estudantes concluíram o ensino superior no Brasil em 2022. Isso mostra que muita gente chega ao mercado ao mesmo tempo, e que o diploma, sozinho, deixou de ser o único critério de escolha.
Então, na prática, o que as empresas procuram quando abrem uma vaga para quem acabou de se formar? Neste artigo você vai entender o que os recrutadores valorizam, quais competências pesam mais, como mostrar isso no currículo e na entrevista e o que fazer ainda durante a faculdade para chegar mais preparado.
O que as empresas esperam de um recém-formado, na prática
De modo geral, a expectativa das empresas se divide em quatro blocos:
- Base técnica: domínio dos fundamentos da profissão e das ferramentas básicas da área.
- Competências comportamentais: comunicação, trabalho em equipe, responsabilidade e postura profissional.
- Capacidade de aprender: curiosidade, adaptação e abertura para receber orientação.
- Experiência prática: vivências que mostrem que você já colocou o conhecimento em uso, mesmo em escala pequena.
Repare que nenhum desses blocos exige anos de carreira. É isso que diferencia a expectativa para um recém-formado da expectativa para um profissional experiente: a empresa avalia mais o seu potencial e a sua forma de trabalhar do que o seu histórico.
O que dizem as pesquisas sobre o que as empresas valorizam
Alguns levantamentos recentes ajudam a entender para onde o mercado está olhando.
A Pesquisa de Expectativa de Emprego do ManpowerGroup para o terceiro trimestre de 2026 aponta que comunicação, resolução de problemas e conhecimentos em inteligência artificial estão entre as competências mais valorizadas pelas empresas brasileiras. O mesmo grupo, na Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, indica que 44% dos empregadores brasileiros investem em programas de requalificação e atualização de competências de seus times. Em outras palavras, as empresas sabem que ninguém chega pronto e estão dispostas a formar quem demonstra vontade de aprender.
O Guia para Recém-Formados 2026, divulgado pelo LinkedIn, reforça essa leitura: a formação acadêmica é o ponto de partida, e o diferencial está nas competências transferíveis e na capacidade de se adaptar a contextos diferentes. O mesmo material aponta que tecnologia, informação e mídia, além de atividades profissionais, científicas e técnicas, estão entre os setores que mais contratam quem está começando.
Uma pesquisa norte-americana da Strada, feita em 2026 com cerca de 1.500 empregadores, trouxe um dado curioso: a experiência prática anterior, como estágios e projetos, pesou mais na avaliação de currículos de recém-formados do que boas notas isoladas. Vale lembrar que é um estudo de outro país, mas a lógica conversa com o que recrutadores brasileiros costumam relatar.
Do lado das vagas, os dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que os jovens de 18 a 24 anos aparecem entre os grupos que mais ingressam no emprego formal. Em fevereiro de 2026, por exemplo, essa faixa etária teve saldo positivo de cerca de 117 mil vagas com carteira assinada no país.
As 9 competências que as empresas mais esperam de quem acabou de se formar
1. Comunicação clara
Escrever um e-mail objetivo, explicar uma ideia em uma reunião e saber dizer “não entendi” na hora certa são comportamentos simples que evitam retrabalho. A comunicação é uma das competências mais citadas pelos empregadores em todas as áreas, porque ela afeta todo o resto do trabalho.
2. Capacidade de resolver problemas
Empresas não esperam que você saiba tudo. Esperam que, diante de uma dificuldade, você identifique o problema, busque informações, proponha alternativas e peça ajuda quando necessário. Quem apenas leva o problema ao gestor, sem nenhuma hipótese de solução, costuma ter mais dificuldade de crescer.
3. Vontade de aprender e adaptação
O mercado muda rápido, e as ferramentas de hoje podem ser outras daqui a dois anos. Por isso, a postura de quem pergunta, estuda por conta própria e aceita ser corrigido vale tanto quanto o conhecimento que você já tem.
4. Trabalho em equipe
Quase toda atividade profissional depende de outras pessoas. Colaborar, respeitar prazos combinados, dividir responsabilidades e lidar bem com opiniões diferentes mostra maturidade profissional desde o primeiro dia.
5. Responsabilidade e comprometimento
Cumprir horários, entregar o que prometeu e avisar com antecedência quando algo atrasar constroem confiança. Para um gestor, um profissional confiável e em desenvolvimento costuma valer mais do que um talentoso e inconstante.
6. Base técnica da área
O conhecimento adquirido na graduação continua sendo essencial. As empresas esperam que você domine os fundamentos da profissão e conheça as ferramentas mais usadas na sua área, como planilhas, sistemas de gestão, softwares específicos ou normas técnicas. Não precisa dominar tudo, mas precisa ter uma boa base para evoluir.
7. Familiaridade com tecnologia e inteligência artificial
Saber usar ferramentas digitais com segurança passou a ser parte do básico. Isso inclui pacote de escritório, ferramentas de colaboração e noções de como a inteligência artificial pode apoiar tarefas do dia a dia. Pelo que se observa nas pesquisas, o conhecimento em IA é valorizado, mas costuma pesar menos do que comunicação e resolução de problemas. Use a tecnologia como apoio, sem abrir mão do raciocínio próprio.
8. Postura ética e profissional
Sigilo de informações, respeito aos colegas, honestidade ao reportar resultados e cuidado com a imagem nas redes sociais fazem parte da avaliação, mesmo quando ninguém comenta isso abertamente.
9. Autonomia com humildade
As empresas querem alguém que tome iniciativa dentro do próprio escopo, mas que também saiba pedir orientação. Esse equilíbrio é um dos sinais mais claros de maturidade em quem está começando.
Competências técnicas x comportamentais: como as empresas avaliam cada uma
| Tipo de competência | Exemplos | Como a empresa costuma avaliar | Como você pode demonstrar |
|---|---|---|---|
| Técnicas | Fundamentos da profissão, ferramentas da área, normas e métodos | Teste prático, perguntas técnicas, análise do currículo | Projetos da faculdade, estágio, certificados, portfólio |
| Comportamentais | Comunicação, trabalho em equipe, responsabilidade | Entrevista por situações, dinâmica de grupo, referências | Exemplos reais de situações vividas e como você agiu |
| De aprendizagem | Curiosidade, adaptação, receptividade a orientação | Perguntas sobre desafios e erros do passado | Cursos complementares, atividades de extensão, iniciativas próprias |
| Digitais | Ferramentas de colaboração, planilhas, noções de IA | Testes simples e perguntas sobre rotina de trabalho | Uso comprovado em trabalhos acadêmicos e projetos |
Falta de experiência: o maior obstáculo e como contorná-lo
A queixa mais comum de quem acabou de se formar é a exigência de experiência em vagas de nível inicial. A boa notícia é que “experiência” não significa apenas emprego formal. Recrutadores costumam considerar:
- estágio, remunerado ou não, previsto na Lei nº 11.788/2008, que trata o estágio como ato educativo supervisionado;
- projetos de extensão e de iniciação científica;
- trabalhos práticos e estudos de caso feitos na graduação;
- atividades em clínicas, laboratórios e núcleos de prática da própria instituição;
- trabalho voluntário e atuação em entidades estudantis;
- projetos próprios e atividades autônomas relacionadas à área.
O ponto central é saber contar o que você fez, qual foi o seu papel e qual foi o resultado. Uma frase como “organizei o levantamento de dados de um projeto com 40 participantes e apresentei o relatório final à turma” diz muito mais do que “participei de projeto acadêmico”.
Como apresentar o que você tem no currículo e na entrevista
Currículo de quem está começando funciona melhor quando é curto, claro e direcionado para a vaga. Um caminho simples:
- Resumo profissional de duas ou três linhas: formação, área de interesse e principais conhecimentos.
- Formação acadêmica: curso, instituição e ano de conclusão.
- Experiências práticas: estágio, projetos e atividades, com foco no que você fez e entregou.
- Conhecimentos e ferramentas: apenas o que você realmente sabe usar.
- Cursos complementares: somente os que têm relação com a vaga.
Na entrevista, prepare dois ou três exemplos reais de situações em que você trabalhou em grupo, resolveu um problema ou aprendeu algo novo. Responder com histórias concretas é mais convincente do que listar qualidades.
Checklist: como se preparar antes de se formar
- Faça pelo menos um estágio ou uma atividade prática ligada à sua área.
- Participe de projetos de extensão, pesquisa ou monitoria.
- Registre seus trabalhos e resultados em um portfólio simples, quando a área permitir.
- Pratique apresentações orais, mesmo em seminários da turma.
- Aprenda as ferramentas mais usadas na sua profissão.
- Mantenha o perfil profissional atualizado e coerente com o currículo.
- Construa uma rede de contatos conversando com professores, colegas e profissionais da área.
- Treine respostas para as perguntas mais comuns de entrevista.
- Busque orientação de carreira na sua instituição de ensino.
- Continue estudando depois da formatura, com cursos curtos, certificações ou pós-graduação.
Erros comuns de quem está começando
- Enviar o mesmo currículo para todas as vagas, sem adaptar.
- Listar competências que você não consegue demonstrar na prática.
- Deixar de contar experiências acadêmicas relevantes por achar que “não contam”.
- Chegar à entrevista sem conhecer a empresa.
- Criar expectativas irreais sobre salário e cargo logo no início.
- Ignorar a vaga que parece pequena, quando ela pode ser uma boa porta de entrada.
A faculdade conta na hora de ser contratado?
Conta, e muito, quando ela oferece mais do que sala de aula. Instituições que integram teoria e prática, com estágios, clínicas, laboratórios, núcleos de atendimento à comunidade, apoio ao estudante e orientação de carreira, ajudam o aluno a chegar ao mercado com experiências para mostrar.
No Oeste Catarinense, a UCEFF, com unidades em Chapecó, Itapiranga, São Miguel do Oeste e Concórdia, tem esse perfil de formação conectada à realidade regional, com estruturas como UCEFF Odonto, Nupvet e serviços de apoio ao estudante, como o SAE e o NAAP. Ao escolher onde estudar, vale observar justamente isso: quantas oportunidades de prática o curso oferece antes da formatura.
Perguntas frequentes sobre o que as empresas esperam de um recém-formado
O que as empresas mais valorizam em um recém-formado?
As empresas valorizam principalmente comunicação, capacidade de resolver problemas, vontade de aprender, trabalho em equipe e uma base técnica sólida da área. Experiência prática, como estágio ou projetos, também pesa bastante na avaliação.
Preciso ter experiência para conseguir o primeiro emprego?
Nem sempre. Muitas vagas de nível inicial aceitam experiências acadêmicas e práticas, como estágios, projetos de extensão, monitorias e trabalhos voluntários. O importante é saber descrever o que você fez e quais resultados obteve.
Ter boas notas na faculdade garante contratação?
Não garante. As notas mostram dedicação, mas as empresas costumam dar mais peso à combinação entre conhecimento técnico, experiências práticas e competências comportamentais. Uma pesquisa norte-americana recente indicou que experiência prática teve mais peso do que notas altas isoladas.
Quais competências comportamentais são mais importantes para quem está começando?
Comunicação, responsabilidade, trabalho em equipe, adaptação e disposição para receber orientação estão entre as mais citadas. Elas permitem que o profissional evolua mesmo que ainda esteja aprendendo a parte técnica.
Saber usar inteligência artificial é obrigatório para ser contratado?
Não é obrigatório em todas as vagas, mas é cada vez mais valorizado. Pesquisas indicam que o conhecimento em IA aparece entre as competências desejadas, embora costume pesar menos do que comunicação e resolução de problemas. O ideal é usar a tecnologia como apoio ao trabalho, sem substituir o raciocínio próprio.
Estágio conta como experiência profissional?
Sim. Pela Lei nº 11.788/2008, o estágio é um ato educativo supervisionado que integra a formação do estudante, e os recrutadores o consideram uma experiência relevante para vagas de nível inicial.
Vale a pena fazer pós-graduação logo após a graduação?
Depende do seu objetivo. Se a área exige especialização para atuar, pode valer a pena. Em muitos casos, combinar uma experiência prática inicial com cursos complementares ajuda a definir melhor qual especialização faz sentido para a sua carreira.
Como mostrar competências comportamentais no currículo?
Em vez de listar adjetivos, descreva situações reais. Por exemplo, cite um projeto em grupo que você coordenou, uma apresentação que realizou ou um problema que ajudou a resolver, sempre com o resultado alcançado.
Quais setores mais contratam recém-formados no Brasil?
Segundo o Guia para Recém-Formados 2026 do LinkedIn, tecnologia, informação e mídia, além de atividades profissionais, científicas e técnicas, estão entre os setores que mais contratam quem está no início da carreira. Em cada região, porém, o perfil das vagas varia conforme a economia local.
Quanto tempo leva para conseguir o primeiro emprego depois de formado?
Não existe um prazo único. O tempo depende da área, da região, da experiência acumulada durante a faculdade e da quantidade de candidaturas bem direcionadas. Quem começa a se preparar antes de se formar costuma chegar à formatura com mais chances.
Conclusão
O que as empresas esperam de um recém-formado é menos sobre ter todas as respostas e mais sobre saber construí-las: comunicar bem, resolver problemas, trabalhar com outras pessoas, aprender com rapidez e mostrar na prática que o conhecimento da faculdade virou ação. Quem entende isso ainda durante a graduação transforma o período de estudo em preparação real para o mercado.
Quer se preparar para o mercado desde a graduação?
Escolher uma instituição que une teoria, prática e apoio ao estudante faz diferença na sua trajetória profissional. Conheça a UCEFF, os cursos de graduação e as oportunidades para começar a construir sua carreira: acesse o site da UCEFF.


