Decidir se vale a pena cursar uma graduação é uma das perguntas mais recorrentes entre quem está terminando o ensino médio, pensando em mudar de carreira ou avaliando um retorno aos estudos. A resposta, olhando para os números mais recentes do mercado de trabalho brasileiro, é consistente: o diploma de ensino superior continua sendo um dos fatores mais decisivos para renda, estabilidade e velocidade de crescimento profissional — mesmo em um cenário econômico que mudou bastante nos últimos anos.
Neste conteúdo, você vai encontrar dados atualizados do IBGE, do Novo Caged/MTE e de estudos setoriais sobre empregabilidade, além de uma leitura específica do que isso significa para quem vive e trabalha no Oeste de Santa Catarina, uma das regiões com menor desemprego e maior geração de vagas formais do país.
Por que a graduação continua sendo decisiva no mercado de trabalho
Nos últimos anos, ganhou força o discurso de que “diploma não garante emprego” ou de que habilidades técnicas isoladas (cursos livres, certificações, autodidatismo) substituiriam a formação superior. Os dados oficiais contam uma história mais matizada: a graduação segue sendo o fator que mais amplia renda e reduz a exposição ao desemprego, mesmo com o mercado valorizando cada vez mais competências práticas.
O impacto na renda
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, a renda de quem tem ensino superior completo é 126% maior do que a de trabalhadores com apenas o ensino médio. É verdade que esse diferencial vem caindo ao longo da última década — em parte porque a força de trabalho como um todo está mais escolarizada e porque a informalidade cresceu também entre os mais qualificados —, mas o “prêmio salarial” do diploma continua expressivo e consolidado.
Outro indicador relevante vem do setor privado: um levantamento sobre mais de 135 milhões de admissões registradas no Novo Caged entre 2020 e 2025 mostra que profissionais com ensino superior completo recebem, em média, 50% a mais do que colegas sem graduação em cargos que exigem esse nível de escolaridade. Em posições de liderança, essa diferença pode ultrapassar 450%.
O efeito também aparece na trajetória de quem acabou de se formar: dados do Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade (IASE) mostram que a remuneração média dos egressos cresce 81% logo após a conclusão da graduação, saindo de uma média de R$ 2.783 para R$ 5.045.
O impacto na empregabilidade e na estabilidade
Além de ganhar mais, quem tem diploma também fica menos tempo desempregado. De acordo com a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE em 2026, a taxa de desemprego entre pessoas com ensino superior completo é de 3,7% — praticamente metade da média nacional, de 6,1%. Isso significa que, em momentos de instabilidade econômica, profissionais graduados têm uma rede de proteção maior contra a perda de renda.
Graduação x Ensino Médio: o que os dados mostram
A tabela abaixo resume os principais indicadores comparativos entre os dois níveis de escolaridade, com base em fontes oficiais.
| Indicador | Ensino Médio | Ensino Superior Completo | Fonte |
|---|---|---|---|
| Diferença de renda média | Referência (100%) | +126% | IBGE/PNAD Contínua |
| Taxa de desemprego | ~6,1% (média nacional geral) | 3,7% | IBGE/PNAD Contínua (2026) |
| Diferença salarial em cargos que exigem graduação | Referência (100%) | +50% em média | Novo Caged/MTE (2020–2025) |
| Diferença salarial em cargos de liderança | Referência (100%) | Pode ultrapassar +450% | Novo Caged/MTE |
| Crescimento de renda pós-formatura | — | +81% (de R$ 2.783 para R$ 5.045) | ABMES/Symplicity (IASE) |
Leitura importante: esses números não significam que o diploma “garante” automaticamente um salário maior — significam que ele muda substancialmente a probabilidade de acesso a cargos, setores e faixas salariais que dificilmente se alcançam sem formação superior, especialmente em áreas técnicas, de gestão, saúde e educação.
O panorama do mercado de trabalho brasileiro em 2026
O mercado de trabalho formal brasileiro segue em expansão. Em 2025, o país fechou o ano com saldo positivo de 1,27 milhão de empregos formais, com crescimento registrado em todas as 27 unidades da federação. Em 2026, o ritmo de criação de vagas segue positivo, puxado principalmente pelo setor de Serviços — que inclui áreas como Informação e Comunicação, Administração Pública, Educação e Saúde —, seguido por Comércio, Indústria, Construção Civil e Agropecuária.
Esse crescimento do setor de serviços é especialmente relevante para quem está escolhendo uma graduação: são justamente as áreas que mais absorvem profissionais com formação superior, seja em cargos técnicos, seja em posições de gestão e atendimento especializado.
O cenário no Oeste de Santa Catarina
Para quem mora ou pretende estudar em cidades como Chapecó, Itapiranga, São Miguel do Oeste ou Concórdia, o contexto regional reforça ainda mais a importância da formação superior.
- Santa Catarina tem a menor taxa de desemprego do país. No terceiro trimestre de 2025, a taxa de desocupação do estado foi de 2,3%, muito abaixo da média nacional de 5,6%, segundo a PNAD Contínua/IBGE.
- O agronegócio segue como motor regional, respondendo por cerca de 36% dos postos de trabalho catarinenses e por 70% de tudo o que o estado exporta — um setor que hoje demanda cada vez mais profissionais formados em Agronegócio, Medicina Veterinária, Engenharia de Alimentos, Gestão e Ciências Contábeis, não apenas mão de obra operacional.
- Chapecó, polo econômico do Oeste, tem no setor de Serviços cerca de 59% do seu PIB, com forte demanda por profissionais de saúde, educação, tecnologia, área jurídica, contabilidade e marketing — funções que, em sua maioria, exigem graduação.
- A região cresce mais rápido que a média estadual. No primeiro bimestre de 2026, a região Noroeste catarinense (que engloba parte do Oeste) registrou a maior variação de crescimento do emprego formal do estado.
Na prática, isso significa que quem se forma em uma instituição com raízes na região — que conhece as demandas reais das empresas locais e mantém parcerias com a indústria, o agronegócio e o setor de serviços — tende a encontrar um mercado de trabalho aquecido e alinhado ao que aprendeu durante o curso.
Além do salário: outras vantagens de ter um diploma
O retorno da graduação não se resume ao contracheque. Entre os benefícios menos discutidos, mas igualmente relevantes, estão:
- Rede de contatos (networking) qualificada: colegas, professores e parceiros de estágio formam uma rede profissional que se mantém ao longo de toda a carreira.
- Acesso a estágios e primeiras experiências profissionais, regulamentados pela Lei nº 11.788/2008, que funcionam como porta de entrada para o mercado formal.
- Requisito legal para profissões regulamentadas, como Direito, Enfermagem, Contabilidade, Psicologia, Medicina Veterinária e Engenharia — áreas em que não existe atalho fora da graduação.
- Desenvolvimento de pensamento crítico e metodológico, essencial em um mercado cada vez mais orientado por dados e por decisões baseadas em evidências.
- Maior empregabilidade em cenários de automação e IA, já que funções analíticas, de supervisão e de tomada de decisão — tipicamente exercidas por profissionais graduados — são menos substituíveis por tecnologia do que tarefas operacionais repetitivas.
- Possibilidade de especialização contínua, com pós-graduação, MBAs e certificações que só fazem sentido — e só são aceitos pelo mercado — sobre uma base de graduação completa.
Checklist: como aproveitar ao máximo a graduação para impulsionar a carreira
Ter o diploma é a base, mas o retorno profissional aumenta consideravelmente quando o período da graduação é bem aproveitado. Use esta lista como guia:
- Escolha um curso alinhado ao mercado da sua região, não apenas à tendência do momento — verifique a demanda local antes de decidir.
- Priorize instituições com forte componente prático (estágios, clínicas-escola, laboratórios, projetos de extensão), que aceleram a transição para o mercado de trabalho.
- Comece o estágio o quanto antes, mesmo que não seja obrigatório, para construir experiência e rede de contatos.
- Participe de projetos de extensão e iniciação científica, que diferenciam o currículo e desenvolvem competências práticas.
- Desenvolva competências complementares durante o curso, como idiomas, ferramentas digitais e certificações da sua área.
- Use os serviços de apoio ao estudante da instituição (orientação psicopedagógica, apoio de carreira, acessibilidade) para reduzir a evasão e manter o desempenho acadêmico.
- Construa um portfólio ou histórico de projetos ao longo da graduação, não apenas ao final do curso.
- Planeje a pós-graduação ou especialização já durante os últimos semestres da graduação, para não perder o ritmo de qualificação.
Perguntas frequentes sobre a importância da graduação
A graduação ainda vale a pena mesmo com tantos cursos livres e certificações disponíveis? Sim. Cursos livres e certificações são complementares, mas não substituem a formação superior nos indicadores que mais importam para a carreira: renda, redução do desemprego e acesso a profissões regulamentadas. Os dados do IBGE e do Novo Caged mostram que o diferencial de renda de quem tem diploma continua muito acima da média, mesmo em um mercado com mais opções de qualificação alternativa.
Qual a diferença de salário entre quem tem graduação e quem tem apenas o ensino médio? De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, a renda de trabalhadores com ensino superior completo é, em média, 126% maior do que a de quem tem apenas o ensino médio.
A taxa de desemprego é realmente menor entre graduados? Sim. A taxa de desocupação entre pessoas com ensino superior completo é de 3,7%, contra uma média nacional de 6,1%, segundo dados recentes da PNAD Contínua/IBGE.
Vale mais a pena fazer graduação presencial, EaD ou híbrida? Depende da rotina e do perfil de cada estudante. O mercado de trabalho reconhece igualmente diplomas de cursos presenciais, EaD e híbridos, desde que emitidos por instituições com boa avaliação do MEC. O que muda é a forma de aprendizado: cursos híbridos e EaD costumam favorecer quem já trabalha ou tem rotina mais apertada, enquanto o presencial oferece mais contato direto com laboratórios e vivência de campus.
Quanto tempo depois de formado o salário costuma aumentar? Estudos de empregabilidade mostram crescimento expressivo logo após a formatura: a remuneração média dos egressos cresce cerca de 81% na comparação entre o período de estágio/graduação e os primeiros anos após a conclusão do curso.
A graduação garante emprego na área escolhida? Não existe garantia automática, mas a graduação amplia significativamente as chances de inserção na área, principalmente quando combinada com estágios, projetos práticos e domínio de ferramentas específicas do setor.
Mudar de carreira depois dos 30 ou 40 anos por meio da graduação ainda compensa? Sim, especialmente em áreas com demanda aquecida e baixa concorrência por vagas qualificadas, como é o caso de diversos setores no Oeste Catarinense. Muitos estudantes que retomam os estudos nessa fase da vida já têm experiência de mercado, o que costuma acelerar a adaptação e o retorno profissional.
O mercado de trabalho regional interfere na escolha do curso? Interfere, e bastante. Regiões com vocações econômicas fortes — como o Oeste de Santa Catarina, historicamente ligado ao agronegócio e, mais recentemente, também a serviços, saúde e tecnologia — tendem a oferecer mais oportunidades para quem se forma em áreas alinhadas a essas cadeias produtivas.
Como saber se uma instituição de ensino superior tem boa qualidade? O principal indicador oficial é o IGC (Índice Geral de Cursos), calculado pelo MEC, que avalia o conjunto de cursos de graduação e pós-graduação de uma instituição. Notas mais próximas de 5 indicam maior qualidade acadêmica reconhecida pelo Ministério da Educação.
Conclusão: o diploma como investimento de longo prazo
Os dados de 2026 confirmam algo que resiste às mudanças do mercado: a graduação continua sendo um dos investimentos mais consistentes para quem busca estabilidade, renda maior e mais opções de carreira. O cenário fica ainda mais favorável para quem estuda em regiões com mercado de trabalho aquecido, como é o caso do Oeste Catarinense — onde baixa taxa de desemprego, expansão do setor de serviços e força do agronegócio criam um ambiente propício para quem sai da faculdade já qualificado e conectado às demandas reais das empresas locais.
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