Bill Gates largou Harvard. Mark Zuckerberg também. Steve Jobs nem chegou a se formar. Esses três nomes são repetidos em quase toda discussão sobre faculdade e empreendedorismo, e geralmente servem para sustentar uma mesma conclusão: diploma não é mais necessário para empreender.
Mas será que essa narrativa resiste aos números?
Se você está em dúvida entre fazer uma graduação ou colocar todas as fichas em um negócio próprio, este artigo foi escrito para você. Vamos olhar para os dados mais recentes do empreendedorismo brasileiro, entender o que a faculdade realmente entrega para quem quer ter o próprio negócio e por que o “mito do empreendedor que largou tudo” pode estar te enganando mais do que ajudando.
O que os dados mostram sobre escolaridade e empreendedorismo no Brasil
A maior pesquisa de empreendedorismo do mundo, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), acompanha o Brasil desde 2002 e oferece o retrato mais completo de quem empreende no país. Os dados mais recentes desmontam, com números, a ideia de que faculdade e empreendedorismo são caminhos opostos.
Segundo o GEM 2024, o Brasil aparece como o 3º país com a maior taxa de empreendedorismo no mundo, com 20,3% de empreendedores iniciais e 13,2% de empreendedores estabelecidos. Estamos em um cenário de expansão e oportunidade — e justamente nesse momento, o perfil de quem empreende vem mudando.
Entre os empreendedores iniciais brasileiros, vem crescendo a proporção de pessoas com nível superior. De acordo com a edição 2023 da pesquisa, aumentou a proporção de pessoas com nível superior, maior renda e dos que abrem o próprio negócio “por oportunidade”, em vez de “por necessidade”.
Isso é significativo. O empreendedor brasileiro está, em média, mais escolarizado do que era há 10 anos. E essa não é uma mudança decorativa: a escolaridade tem impacto direto na qualidade do empreendimento.
Mais escolaridade, mais planejamento, menos mortalidade
O Sebrae é categórico ao apontar a relação entre formação e sobrevivência do negócio. Quanto mais escolarizado o empreendedor, mais propenso ele é a empreender por oportunidade e a realizar um planejamento, o que acaba garantindo uma taxa mais alta de sucesso.
E a “taxa mais alta de sucesso” não é abstrata. Olhando para os dados de mortalidade empresarial:
- MEI (Microempreendedor Individual): taxa de encerramento de até 37% em poucos anos.
- Microempresas (ME): taxa próxima de 18%.
- Empresas de Pequeno Porte (EPP): taxa em torno de 13%.
Não é coincidência. Empresas de maior porte costumam ter empreendedores mais bem preparados, com maior acesso a crédito, capacidade de gestão e visão estratégica — competências que, na maioria dos casos, foram desenvolvidas em uma trajetória acadêmica.
A pesquisa do Sebrae sobre sobrevivência de empresas mostra ainda que negócios criados sem planejamento adequado têm risco significativamente maior de fechar. E planejamento, gestão financeira, análise de mercado e tomada de decisão baseada em dados são exatamente o tipo de habilidade que se aprende — e se pratica — dentro de uma graduação.
O mito dos “empreendedores que largaram a faculdade”
Antes de falar do que a graduação entrega, é importante desmontar o argumento mais comum contra ela: a história dos bilionários que abandonaram a universidade.
Esse raciocínio cai em uma armadilha lógica chamada viés de sobrevivência. Olhamos para um punhado de exceções extraordinárias e ignoramos os milhões de pessoas que tentaram o mesmo caminho e não chegaram lá. É como olhar só para os ganhadores da loteria e concluir que apostar é uma boa estratégia financeira.
Vale lembrar três detalhes que costumam ficar de fora da história:
- Quase todos esses casos icônicos passaram por universidades de elite. Bill Gates e Mark Zuckerberg estudaram em Harvard. O ambiente, os professores, os colegas e a rede de contatos que eles construíram lá foram parte fundamental do sucesso posterior. Eles não largaram a faculdade qualquer — largaram Harvard.
- A maioria dos empreendedores de sucesso, especialmente fora do Vale do Silício, tem diploma. Pesquisas mostram que fundadores de empresas que escalam globalmente têm, em média, ensino superior completo (e muitas vezes pós-graduação).
- O contexto brasileiro é diferente. No Brasil, o acesso a crédito, a redes de mentores, a capital de risco e a clientes corporativos é menos democrático do que nos EUA. Aqui, credibilidade construída via diploma e formação técnica pesa mais.
Em outras palavras: usar Steve Jobs como argumento para não fazer faculdade no Oeste de Santa Catarina é, no mínimo, uma comparação desproporcional.
O que uma graduação realmente entrega para quem quer empreender
Quem decide empreender com formação superior não está pagando por um pedaço de papel. Está construindo uma estrutura de habilidades, contatos e oportunidades que faz diferença real na hora de tirar uma ideia do papel — e mantê-la viva. Vamos ao que importa.
1. Conhecimento técnico estruturado
Empreender envolve decisões em várias frentes ao mesmo tempo: precificação, fluxo de caixa, contratação, marketing, jurídico, tributário, operação. Aprender tudo isso “no susto”, depois que o negócio já está aberto, é caro e arriscado.
A graduação entrega esse conteúdo de forma sequencial e fundamentada. Em cursos como Administração, Ciências Contábeis, Direito, Engenharias, Sistemas de Informação, Agronomia e Medicina Veterinária (entre outros), o estudante aprende ferramentas que vai aplicar diretamente quando tiver o próprio negócio:
- Análise de viabilidade econômica e plano de negócios.
- Gestão financeira, controle de custos e formação de preço.
- Marketing, comportamento do consumidor e posicionamento de marca.
- Legislação trabalhista, tributária e de defesa do consumidor.
- Operações, logística e gestão de pessoas.
2. Rede de contatos (networking)
Uma das vantagens mais subestimadas da faculdade é o capital social que se constrói nela. Colegas de turma viram futuros sócios, fornecedores, primeiros clientes ou indicações. Professores conectam alunos a empresas e a oportunidades. Eventos acadêmicos colocam o estudante em contato com profissionais experientes.
Para quem está começando do zero e mora fora dos grandes centros, esse acesso é especialmente valioso. No Oeste Catarinense, onde a economia é puxada por agroindústria, comércio, serviços e tecnologia, ter uma rede regional sólida pode ser o diferencial entre um negócio que estagna e um negócio que cresce.
3. Experiência prática durante o curso
Esse é o ponto que mais surpreende quem ainda imagina a universidade como um lugar só de teoria. O Brasil é, hoje, líder mundial em empresas juniores — associações sem fins lucrativos formadas e geridas por estudantes, que prestam consultoria a micro e pequenas empresas com acompanhamento de professores.
A primeira edição do Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE) foi realizada em 2016 e avaliou 42 universidades por meio da percepção de 6 mil alunos. A terceira edição mostrou crescimento exponencial, evidenciando o avanço da cultura empreendedora nas instituições brasileiras.
Além das empresas juniores, o estudante pode participar de:
- Estágios em empresas reais, vivenciando rotinas de gestão, atendimento e operação.
- Projetos de extensão que conectam universidade e comunidade, resolvendo problemas reais.
- Hackathons, ligas acadêmicas e incubadoras focadas em inovação e startups.
- TCCs aplicados, em que o trabalho de conclusão pode ser, literalmente, o plano de negócio do próprio empreendimento.
Em todos esses formatos, o estudante erra em ambiente protegido. E errar barato, com mentoria, é uma vantagem competitiva enorme em comparação a quem só aprende quando o erro custa o próprio capital.
4. Pensamento crítico e tomada de decisão
Empreender é, no fundo, tomar decisões com informação incompleta. A graduação treina exatamente essa habilidade: ler dados, comparar fontes, formular hipóteses, testar, ajustar. Em um mercado em que IA, mudanças regulatórias e novos hábitos de consumo aparecem todos os meses, saber pensar é mais importante do que saber qualquer ferramenta específica.
5. Validação e credibilidade
Bancos avaliam diploma. Investidores avaliam diploma. Grandes clientes corporativos avaliam diploma. Em muitas situações, o ensino superior funciona como sinal de comprometimento, capacidade técnica e maturidade — e isso impacta diretamente o acesso a crédito, contratos e parcerias.
Comparativo: empreender com graduação x empreender sem graduação
Para tornar mais claro, segue uma comparação direta dos dois caminhos no contexto brasileiro:
| Critério | Empreender com graduação | Empreender sem graduação |
|---|---|---|
| Acesso a conhecimento técnico estruturado | Currículo formal e progressivo | Aprendizado fragmentado, geralmente reativo |
| Rede de contatos | Ampla, multidisciplinar e regional | Depende quase só do círculo social pessoal |
| Acesso a crédito e investimento | Tende a ser maior pela credibilidade | Geralmente mais restrito no início |
| Experiência prática supervisionada | Empresas juniores, estágios, extensão | Aprendizado direto no próprio negócio |
| Custo dos erros | Erros menores em ambiente acadêmico | Erros pagos com capital próprio |
| Probabilidade de empreender por oportunidade | Maior, segundo dados do GEM e Sebrae | Maior incidência de empreendedorismo por necessidade |
| Tempo até o negócio funcionar | Caminho mais longo, porém mais sólido | Caminho mais rápido, com mais riscos |
Não é que um caminho seja “certo” e o outro “errado”. É que os dados mostram, com bastante consistência, que empreender com formação aumenta as chances de sobrevivência e crescimento do negócio.
Empreender durante a faculdade: o melhor dos dois mundos
Aqui está o ponto que muita gente perde: você não precisa escolher entre empreender e estudar. Os dois caminhos podem (e devem) andar juntos.
A faculdade é, possivelmente, o melhor laboratório que você terá na vida para testar uma ideia de negócio. Você tem:
- Tempo e flexibilidade maiores do que quando estiver com filhos, financiamento e responsabilidades fixas.
- Mentores acadêmicos dispostos a discutir sua ideia de graça.
- Colegas com habilidades complementares (alguém entende de design, outro de programação, outro de finanças).
- Espaços físicos como laboratórios, bibliotecas e auditórios.
- Editais de fomento, incubadoras e prêmios voltados especificamente para estudantes.
Quem aproveita esse período para validar uma ideia, construir um MVP (produto mínimo viável), montar uma equipe e captar os primeiros clientes sai da graduação com o negócio já em movimento — e com um diploma na mão. É a melhor combinação possível.
E se eu já tenho um negócio? Vale a pena fazer faculdade?
Vale, e talvez ainda mais. Quem já está dentro de um negócio sabe exatamente quais são suas lacunas: dificuldade com fluxo de caixa, com contratação, com marketing digital, com expansão. A graduação, nesse caso, deixa de ser um caminho genérico e vira uma resposta direta para essas dores.
Empreendedores que voltam à universidade depois de já terem aberto o próprio negócio costumam ter três ganhos:
- Aplicação imediata. Cada conteúdo da aula é testado no negócio na semana seguinte, o que acelera o aprendizado.
- Networking qualificado. Tanto com colegas que enfrentam desafios parecidos quanto com professores que viram dezenas de cases.
- Profissionalização da gestão. Sair da informalidade técnica e estruturar processos, indicadores e governança.
Modalidades como graduação presencial, híbrida e EAD facilitam essa volta à sala, permitindo conciliar negócio, faculdade e vida pessoal.
Como a UCEFF prepara quem quer empreender no Oeste Catarinense
A UCEFF — Centro Universitário do Oeste Catarinense — atua exatamente nesse ponto: formar profissionais que não apenas dominam tecnicamente sua área, mas também estão prontos para atuar como empreendedores ou intraempreendedores no mercado regional.
Alguns elementos que conectam a formação na UCEFF ao empreendedorismo:
- Nota 4 no IGC do MEC, indicador que reflete a qualidade institucional consolidada e abre portas para o reconhecimento profissional do egresso.
- Estrutura de práticas reais, como a UCEFF Odonto (clínica-escola odontológica) e o Nupvet (núcleo de práticas veterinárias), que colocam o estudante em contato com gestão de atendimento, precificação, relacionamento com cliente e operação desde a graduação.
- UCEFF Connect, plataforma que aproxima estudantes de oportunidades, conteúdos e comunidade acadêmica.
- Portfólio de cursos com forte aderência ao empreendedorismo, em áreas como Administração, Ciências Contábeis, Direito, Engenharias, Agronomia, Medicina Veterinária, Odontologia, Sistemas de Informação e Educação Física.
- Presença regional consolidada, com campi em Chapecó, Itapiranga, São Miguel do Oeste e Concórdia, oferecendo network direto com o tecido empresarial do Oeste de Santa Catarina — uma das regiões mais dinâmicas do Sul do Brasil em agroindústria, comércio e serviços.
A graduação não substitui a vontade de empreender. Mas, somada a ela, multiplica suas chances de transformar uma ideia em um negócio que dura.
Perguntas frequentes
Preciso fazer faculdade para abrir um MEI?
Não. Para abrir um MEI no Brasil, basta ter mais de 18 anos e atender aos requisitos legais. Mas dados do Sebrae mostram que MEIs têm a maior taxa de mortalidade entre os portes empresariais, em parte pela menor preparação técnica do empreendedor. Faculdade não é exigência legal, mas funciona como um forte fator de sobrevivência do negócio.
Qual é o melhor curso para quem quer empreender?
Não existe um único curso “certo”. Administração, Ciências Contábeis e Direito oferecem base ampla de gestão, finanças e legislação. Engenharias, Sistemas de Informação e Agronomia preparam para empreender em segmentos técnicos específicos. Medicina Veterinária e Odontologia formam profissionais que tendem a abrir o próprio consultório ou clínica. O melhor curso é aquele alinhado à área em que você quer empreender.
Qual a diferença entre empreender por oportunidade e por necessidade?
Empreender por oportunidade significa identificar uma demanda de mercado e abrir um negócio para atendê-la, geralmente com planejamento e capital. Empreender por necessidade ocorre quando a pessoa abre um negócio por falta de outras opções de renda, geralmente sem planejamento. Segundo o GEM, empreendedores por oportunidade tendem a ter taxas de sucesso maiores, e a escolaridade é um dos fatores que mais influencia esse perfil.
Posso empreender enquanto faço faculdade?
Sim, e é altamente recomendado. A faculdade oferece tempo, mentoria, rede de contatos, infraestrutura e acesso a editais e incubadoras que dificilmente estarão disponíveis depois. Empresas juniores, projetos de extensão e estágios também funcionam como laboratório para quem quer testar uma ideia de negócio.
Faculdade EAD ou presencial é melhor para quem quer empreender?
Depende do seu momento. A presencial costuma oferecer mais networking, vivência de campus e acesso direto a empresas juniores e projetos. A EAD oferece flexibilidade para quem já trabalha ou já empreende e precisa conciliar agenda. Modalidades híbridas tentam unir o melhor dos dois mundos. Em todas, o que mais importa é o engajamento do estudante com as atividades práticas oferecidas pela instituição.
Empreender exige diploma específico?
Não. Empreender é, juridicamente, uma decisão pessoal — não uma profissão regulamentada. Mas atuar em áreas específicas (medicina, odontologia, engenharia, contabilidade, advocacia, entre outras) exige formação superior e registro profissional. Se o seu negócio é nessas áreas, o diploma deixa de ser um “extra” e vira pré-requisito legal.
Qual o perfil do empreendedor brasileiro hoje?
Segundo o GEM 2024, o Brasil é o terceiro país com maior taxa de empreendedorismo do mundo. O empreendedor brasileiro está, em média, mais escolarizado do que era há uma década, mais motivado por oportunidade e propósito, e mais conectado a tecnologia e ferramentas digitais.
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Se você quer empreender com base sólida, com rede de contatos no Oeste Catarinense e com uma formação reconhecida pelo MEC (IGC nota 4), a UCEFF tem o curso certo para o seu projeto.
Com campi em Chapecó, Itapiranga, São Miguel do Oeste e Concórdia, oferecemos graduações alinhadas ao mercado regional, estrutura de práticas reais e uma comunidade acadêmica voltada para a inovação e o empreendedorismo.
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